A Polícia Civil de São Bernardo do Campo realizou a prisão temporária de Luciano de Souza, de 32 anos, que confessou o assassinato de sua ex-companheira, Sabrina Cândido Pontes, de 24 anos. O caso, registrado como feminicídio e ocultação de cadáver, choca a região do Grande ABC e reacende o debate sobre a violência de gênero no Brasil. Sabrina, vítima de um crime brutal, deixa dois filhos pequenos, de 2 e 4 anos, frutos do relacionamento de 12 anos com o agressor. A investigação revelou uma complexa trama de mentiras e dissimulação por parte de Souza antes de sua confissão, evidenciando a crueldade e o planejamento por trás da ação criminosa que tirou a vida da jovem mulher.

O crime e a estratégia de ocultação

A falsa denúncia de desaparecimento

A trama de dissimulação começou dias antes da confissão. Luciano de Souza, com o objetivo de despistar as autoridades e a família de Sabrina, compareceu à delegacia três dias antes de se entregar para registrar um falso desaparecimento. Ele alegou que Sabrina Cândido Pontes havia sumido em 6 de março, forjando um empenho na busca por sua ex-companheira. Contudo, a pressão das investigações da Polícia Civil, que já suspeitava do seu envolvimento, levou Souza a retornar à delegacia. Foi então que ele confessou ter assassinado Sabrina e ocultado seu corpo em uma área de mata densa, próxima a uma estrada na região do Riacho Grande-Represa Billings, em São Bernardo do Campo. Segundo o depoimento do assassino, o motivo do crime foi a recusa de Sabrina em reatar o relacionamento, que havia terminado há apenas um mês. A frieza e o cálculo empregados na tentativa de encobrir o crime são aspectos que as autoridades continuam a investigar para compreender a totalidade da premeditação.

A tentativa de enganar a família

A crueldade de Luciano de Souza não se limitou ao assassinato e ocultação do corpo de Sabrina. Durante o período em que ela era considerada desaparecida, o assassino utilizou o celular da vítima para postar mensagens em seu status, com o intuito de simular que Sabrina estava viva e bem, supostamente em alguma localidade no interior. Essa tática visava ganhar tempo e dificultar as investigações, induzindo amigos e familiares a acreditar em um cenário falso. Além disso, há fortes suspeitas de que Souza tenha ido além, enviando áudios que supostamente seriam de Sabrina, utilizando ferramentas de inteligência artificial para manipular a voz da vítima. Tal artifício, caso confirmado, demonstra um nível avançado de planejamento e uma intenção deliberada de enganar, não apenas as autoridades, mas também a família enlutada, prolongando seu sofrimento e a incerteza sobre o paradeiro de Sabrina Cândido Pontes.

A alarmante realidade do feminicídio no estado de São Paulo

Estatísticas crescentes e o perfil das vítimas

O trágico caso de Sabrina Cândido Pontes em São Bernardo do Campo não é um evento isolado, mas sim um reflexo da alarmante escalada do feminicídio no estado de São Paulo e em todo o Brasil. Dados recentes da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam uma situação preocupante: em 2025, São Paulo registrou o maior número de vítimas de feminicídio desde o início da série histórica em 2018. Foram contabilizadas 270 mulheres brutalmente assassinadas em decorrência da violência de gênero, representando um aumento de 6,7% em comparação com os 253 casos registrados em 2024. A gravidade da situação foi especialmente sentida em janeiro de 2025, que se tornou o mês mais violento para as mulheres, com um total de 27 feminicídios, o que equivale a quase uma morte por dia. Essas estatísticas frias traduzem a perda de vidas de mulheres como Sabrina, que são vítimas de seus ex-companheiros ou companheiros em um contexto de desequilíbrio de poder e violência.

Medidas protetivas e a persistência da violência

Apesar da existência de mecanismos legais de proteção, como as medidas protetivas de urgência (MPU) previstas na Lei Maria da Penha, a violência contra a mulher e o feminicídio continuam a ser uma chaga social. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado em março, trouxe à tona uma realidade dolorosa: na cidade de São Paulo, uma em cada cinco vítimas de feminicídio (21,7%) tinha uma medida protetiva em vigor. Entre setembro de 2023 e março de 2025, das 83 vítimas na capital paulista, 18 haviam obtido a MPU. Ampliando essa análise para 16 unidades da Federação, o FBSP identificou que, de um total de 1.127 feminicídios, 148 mulheres (13,1%) foram assassinadas mesmo com a MPU vigente. Estes números revelam que, embora as medidas protetivas sejam instrumentos cruciais, sua eficácia é frequentemente comprometida por diversos fatores, incluindo a falha na fiscalização, a subnotificação, a revitimização e a persistência da impunidade, exigindo uma revisão profunda das estratégias de combate à violência de gênero.

Conclusão

O caso do feminicídio de Sabrina Cândido Pontes e a prisão de seu ex-companheiro, Luciano de Souza, ressaltam a urgência de um combate mais eficaz à violência de gênero. A complexidade do crime, com tentativas de ocultação e manipulação, espelha a crueldade que permeia muitos atos de feminicídio. As estatísticas crescentes e a fragilidade das medidas protetivas evidenciam que a proteção das mulheres exige uma abordagem multifacetada, envolvendo educação, conscientização, rigor na aplicação da lei e um sistema de apoio robusto. É imperativo que a sociedade e as autoridades redobrem os esforços para garantir que nenhuma outra vida seja ceifada pela violência de gênero, promovendo um ambiente seguro e de respeito para todas as mulheres.

Perguntas frequentes sobre feminicídio e violência contra a mulher

O que é feminicídio?
Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido em razão de sua condição de mulher, ou seja, quando o crime envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. É um tipo qualificado de homicídio, com pena mais severa, previsto no Código Penal brasileiro.

Quais são as penas para o crime de feminicídio no Brasil?
A pena para feminicídio é de reclusão de 12 a 30 anos, podendo ser aumentada em um terço até a metade se o crime for cometido contra gestante, menor de 14 anos, maior de 60 anos, pessoa com deficiência ou portadora de doenças que impliquem maior vulnerabilidade, ou na presença de descendente ou ascendente da vítima.

Como denunciar casos de violência contra a mulher ou desaparecimento?
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar em emergências) ou em qualquer delegacia de polícia, incluindo as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs). Para desaparecimentos, a denúncia deve ser feita imediatamente em uma delegacia, preferencialmente com fotos e dados da pessoa desaparecida, sem necessidade de aguardar um período mínimo.

Se você ou alguém que conhece está sofrendo violência, não hesite em procurar ajuda. Denuncie e busque apoio para interromper o ciclo da violência e garantir a segurança de todos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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