A morte de uma aluna de natação e a intoxicação de outras cinco pessoas em uma academia de São Paulo ganham novos e preocupantes contornos com o depoimento do manobrista Severino José da Silva, de 43 anos. Ele, que também era responsável pela manutenção da piscina, revelou à polícia detalhes sobre a manipulação de produtos químicos sem treinamento adequado e, principalmente, sobre uma suposta orientação do proprietário, Celso, para que ele se ausentasse de casa devido à investigação policial. A tragédia ocorreu no sábado, 7 de fevereiro, resultando na perda da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, e na hospitalização de outros, incluindo seu marido. As autoridades investigam a correlação entre a má ventilação do ambiente e a manipulação de substâncias.

Revelações do depoimento

Severino José da Silva, funcionário da C4 Gym, compareceu ao 42° Distrito Policial do Parque São Lucas para prestar depoimento sobre o incidente que levou à morte de uma aluna e à intoxicação de outros praticantes de natação. O caso, que chocou a comunidade, aponta para a manipulação inadequada de produtos químicos como a principal suspeita para a tragédia.

O alerta do proprietário Celso

Durante seu depoimento, Severino relatou que, no domingo, 8 de fevereiro, um dia após o ocorrido, o proprietário da academia, Celso, entrou em contato com ele. Na ligação, Celso teria alertado o manobrista sobre a intensificação das investigações, dizendo: “Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo”. Esta declaração levanta questões sérias sobre a conduta do proprietário e uma possível tentativa de obstrução da justiça. O funcionário também mencionou que, no sábado do incidente, tentou contatar o proprietário assim que percebeu que as pessoas estavam passando mal, mas só obteve resposta às 14h11, quando a academia já havia sido evacuada. A resposta de Celso ao relato da situação teria sido um simples e frio “Paciência”.

Falta de preparo e ordens do dono

Severino, que trabalhava na academia há aproximadamente três anos, tinha registro formal como manobrista. No entanto, sua rotina incluía a responsabilidade pela abertura da unidade e a manutenção das piscinas. Ele afirmou à polícia que nunca recebeu qualquer treinamento formal, habilitação técnica ou equipamentos de proteção individual (EPIs) para manusear produtos químicos. Essa acumulação de funções e a ausência de preparo eram, segundo ele, de conhecimento do proprietário, Celso. O funcionário revelou que aprendeu os procedimentos de manutenção da piscina com um antigo manobrista e seguia orientações do dono via mensagens, enviando fotos dos testes da água para que Celso indicasse quais produtos e quantidades deveriam ser aplicados.

Dinâmica da fatalidade

O depoimento do manobrista detalhou a sequência de eventos que culminaram na fatalidade, expondo uma cadeia de decisões e omissões que estão sob escrutínio da polícia.

A aplicação de produtos químicos

Severino relatou que, na quinta-feira anterior ao incidente, percebeu que a água da piscina estava turva e comunicou Celso. Na sexta-feira, recebeu ordens para aplicar apenas cloro na piscina maior. No sábado, a água ainda apresentava coloração turva. Mesmo com alunos na piscina, Celso teria solicitado um novo teste e, em seguida, instruído a aplicação de seis a oito medidas do produto HIDROALL Hiperclor 60. O manobrista afirmou que não despejou o produto diretamente na piscina. Em vez disso, preparou uma solução em um balde com água da própria piscina, adicionou seis medidas de cloro e deixou o recipiente próximo à área da piscina, a cerca de dois metros da borda, antes de retomar suas funções como manobrista. Não há informações claras se o produto foi posteriormente jogado na piscina por outra pessoa. A suspeita é que a manipulação de químicos em um ambiente fechado e com pouca ventilação tenha sido o catalisador da intoxicação.

O socorro e as consequências

Cerca de dez minutos após a preparação da solução química, Severino notou uma movimentação incomum na academia e um forte cheiro de cloro. Ele viu uma mulher sendo amparada na recepção pelo marido e um pai socorrendo seu filho adolescente. Os professores foram rapidamente avisados e retiraram todos os alunos da piscina. O próprio manobrista relatou ter sentido dificuldade respiratória, além de irritação na garganta e nos olhos. Uma viatura da Guarda Civil Metropolitana que passava pela rua foi acionada para auxiliar. A recepcionista da academia também tentou contato com o Samu e o Corpo de Bombeiros, mas, segundo Severino, nenhuma viatura chegou ao local, e as vítimas foram socorridas por meios próprios. Após a evacuação, o funcionário retirou o balde com o produto químico da área da piscina e o levou para a área externa. A academia foi fechada em seguida. O manobrista reforçou que o único produto aplicado por ele foi o HIDROALL Hiperclor 60, adotado recentemente por decisão do proprietário, que estaria “testando um novo tipo de cloro”.

Conclusão

As revelações do manobrista Severino José da Silva adicionam camadas complexas à investigação sobre a morte de Juliana Faustino Bassetto e a intoxicação de outros alunos na academia. A alegada falta de treinamento, a manipulação de produtos químicos sem EPIs, as orientações controversas do proprietário Celso e seu suposto pedido para que o funcionário se ausentasse de casa são pontos cruciais que estão sendo rigorosamente apurados pela polícia. O caso levanta sérias preocupações sobre a segurança e a responsabilidade das empresas no manuseio de substâncias perigosas e na garantia de condições adequadas para seus funcionários e clientes. A academia, por sua vez, afirma estar colaborando integralmente com as autoridades, enquanto seus advogados originais renunciaram ao caso, e novos representantes não foram localizados para comentários. Os desdobramentos desta investigação são aguardados para esclarecer todas as circunstâncias e responsabilidades.

FAQ

Quem é a vítima do incidente na academia?
A vítima fatal do incidente foi Juliana Faustino Bassetto, uma professora de 27 anos, que morreu após uma aula de natação na academia.

Quais são as principais acusações contra o dono da academia, Celso?
As principais acusações, baseadas no depoimento do manobrista, incluem a instrução para manipulação de produtos químicos sem treinamento ou EPI, a alegada indiferença inicial (“Paciência”) e a suposta orientação para o funcionário se ausentar de casa devido à investigação policial.

O manobrista tinha treinamento para manusear produtos químicos?
Não. Segundo seu depoimento, Severino José da Silva não possuía treinamento, habilitação técnica ou equipamentos de proteção individual (EPIs) para manusear produtos químicos, apesar de ser responsável pela manutenção das piscinas.

Quais foram as consequências imediatas para a academia após o incidente?
A academia foi evacuada e fechada. Além disso, a Prefeitura de São Paulo iniciou um processo de cassação da licença de funcionamento do estabelecimento.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste caso e aprofunde-se nas questões de segurança em ambientes aquáticos. Acompanhe nossas próximas atualizações.

Fonte: https://g1.globo.com

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