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Unicef alerta: milhões de crianças sofrem privações severas em países de baixa renda

© Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil

Em um cenário alarmante, 417 milhões de crianças em países de baixa e média renda enfrentam privações severas em pelo menos duas áreas consideradas cruciais para seu desenvolvimento e bem-estar. A constatação é de um relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que analisou a situação em 130 países. O número representa uma em cada cinco crianças.

O estudo, denominado Situação Mundial das Crianças 2025: Erradicar a Pobreza Infantil, tem como objetivo avaliar a pobreza multidimensional, medindo privações em seis categorias essenciais: educação, saúde, moradia, nutrição, saneamento e água. Os dados revelam que 118 milhões de crianças em todo o mundo sofrem com três ou mais privações, enquanto 17 milhões enfrentam quatro ou mais.

A análise detalha ainda que a falta de saneamento básico impacta de forma desigual as crianças, atingindo 65% daquelas que vivem sem acesso a banheiros em países de baixa renda, 26% em países de renda média-baixa e 11% em países de renda média-alta. A ausência de saneamento adequado aumenta significativamente a exposição das crianças a doenças graves, como diarreias e arboviroses.

Apesar dos desafios representados por conflitos, crises climáticas e ambientais e mudanças demográficas, o relatório do Unicef destaca que o progresso na erradicação da pobreza infantil é possível. A Tanzânia, por exemplo, conseguiu reduzir a pobreza infantil multidimensional em 46 pontos percentuais entre 2000 e 2023, impulsionada por programas de transferência de renda e pelo empoderamento das famílias para tomar decisões financeiras. Da mesma forma, em Bangladesh, a pobreza infantil caiu 32 pontos percentuais no mesmo período, graças a iniciativas governamentais que ampliaram o acesso à educação e à eletricidade, melhoraram a qualidade das moradias e investiram em serviços de água e saneamento.

O relatório também examina a pobreza monetária, que limita ainda mais o acesso das crianças a alimentos, educação e serviços de saúde. Os dados indicam que mais de 19% das crianças no mundo vivem em pobreza monetária extrema, sobrevivendo com menos de US$ 3 por dia. Quase 90% dessas crianças estão concentradas na África Subsaariana e no Sul da Ásia. A análise incluiu ainda 37 países de alta renda, mostrando que cerca de 50 milhões de crianças vivem em pobreza monetária relativa.

Embora a pobreza tenha diminuído, em média, 2,5% nos países de alta renda entre 2013 e 2023, o progresso estagnou ou retrocedeu em muitos casos. Na França, Suíça e Reino Unido, por exemplo, a pobreza infantil aumentou mais de 20%. No mesmo período, a Eslovênia reduziu sua taxa de pobreza em mais de um quarto, graças a um sistema robusto de benefícios familiares e legislação sobre salário mínimo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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