Em comemoração ao Dia Internacional da Dança, celebrado em 29 de abril, um projeto com origem em Pernambuco surge com o objetivo de iluminar a vida das mulheres que dançaram, trabalharam e enfrentaram desafios nos cassinos do estado entre as décadas de 1930 e 1950.
Intitulado ‘Bailarinas em Suspeição: Mulher, Dança e Trabalho nos Cassinos Pernambucanos’, o projeto foi lançado recentemente com a proposta de revelar histórias pouco exploradas de mulheres que desempenharam papéis essenciais na cena artística do Recife no século passado.
Idealizado pela artista da dança, pesquisadora e videomaker Marcela Rabelo, a iniciativa abrange múltiplas frentes, que incluem a publicação de um artigo científico, o lançamento de uma videodança no canal do Youtube @bailarinasemsuspeição e a disponibilização de uma página na internet, bailarinasemsuspeicao.blogspot.com, que funciona como um acervo digital aberto, reunindo diversos conteúdos relacionados ao estudo.
Resgate Histórico e Análise Crítica
O projeto baseia-se em um extenso levantamento documental, com análise de jornais, revistas e fichas do antigo DOPS, Departamento de Ordem Política e Social, do período entre o Estado Novo e a Ditadura Militar. Cerca de 90 mulheres, brasileiras e estrangeiras, foram identificadas, revelando trajetórias permeadas por vigilância e estigmas, mas também por uma intensa produção artística em dança.
As classificações das bailarinas da época, como clássica, de salão, vedete, sambista, entre outras, eram frequentemente acompanhadas por discursos moralizantes e vigilância excessiva. As fichas do DOPS refletiam um olhar de suspeição sobre as artistas, levando em consideração critérios como nacionalidade, tipo de dança praticada, estado civil, raça e circulação entre cidades e países.
