Uma pesquisa abrangente sobre violência contra a mulher no Brasil revela um impacto devastador nas vidas das vítimas, com sete em cada dez mulheres relatando alterações significativas em sua rotina após as agressões. Os dados, provenientes de entrevistas com mais de 21 mil mulheres em todo o país, expõem uma realidade alarmante sobre as consequências da violência doméstica.
O levantamento, conduzido em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, aponta que aproximadamente 24 milhões de brasileiras tiveram seu dia a dia perturbado em decorrência da violência sofrida. Além das alterações na rotina, 68% das entrevistadas mencionaram impactos negativos em suas relações sociais, enquanto 46% enfrentaram dificuldades em seu trabalho remunerado e 42% tiveram seus estudos prejudicados.
Um dos dados mais preocupantes da pesquisa indica que mulheres fora do mercado de trabalho são três vezes mais propensas a sofrer violência doméstica do que aquelas que estão empregadas. A pesquisa revelou que 12% das mulheres desempregadas sofrem violência doméstica, em comparação com 4% das mulheres empregadas. O estudo também revela que 66% das mulheres que já sofreram agressões têm renda de até dois salários mínimos.
Especialistas ressaltam que a autonomia econômica é um fator crucial para a proteção das mulheres contra a violência. A pesquisa demonstra a necessidade urgente de políticas públicas que promovam a independência financeira e a qualificação profissional das mulheres, oferecendo um caminho para romper o ciclo da violência.
A pesquisa reforça a necessidade de uma abordagem integrada, que envolva segurança pública, saúde, assistência social, educação e renda, a fim de oferecer respostas eficazes às demandas e vulnerabilidades das mulheres. A pesquisa ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais em todo o país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
