O Ministério Público do Trabalho (MPT) alertou para deficiências nos sistemas de autorregulação e auditoria de grandes empresas, que não têm sido eficazes na prevenção do trabalho escravo em suas cadeias produtivas.
Nos últimos dois anos, mais de 30 empresas líderes em diversos setores foram notificadas pelo MPT por adquirirem produtos ou serviços de fornecedores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Investigação Reveladora
Durante a divulgação dos resultados preliminares do projeto Reação em Cadeia, o procurador Ilan Fonseca de Souza destacou a discrepância entre as alegações das empresas sobre medidas de ‘compliance’ e a real eficácia na prevenção do crime de trabalho escravo.
As companhias notificadas movimentam bilhões, refutando a ideia de que o trabalho escravo está limitado a negócios informais. Setores como carvoarias, fazendas e indústria têxtil estão entre os mais sensíveis.
Responsabilidade Compartilhada
Além das grandes empresas investigadas, o MPT identificou outras 20 empresas líderes e duas prefeituras suspeitas de negociar com fornecedores envolvidos em trabalho escravo. A troca de fornecedores não tem sido eficaz na solução do problema, pois muitas vezes as novas empresas mantêm práticas ilegais.
O procurador ressalta que a sociedade como um todo precisa se envolver para superar a moderna exploração do trabalho escravo no Brasil, um problema que, segundo o MPT, reflete uma falha sistêmica.
