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Moradores protestam contra operação com mortes no alemão e na penha

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Manifestantes dos Complexos do Alemão e da Penha realizaram um protesto em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira. O alvo dos manifestantes foi o governador Claudio Castro, a quem acusam de liderar uma “carnificina na operação policial” que resultou em mais de 100 mortes.

O grupo de manifestantes foi escoltado por policiais do Batalhão Tático Móvel da Polícia Militar durante o trajeto do Complexo da Penha até o Palácio Guanabara.

Os participantes do protesto empunhavam cartazes com frases impactantes como “estado genocida”, “todas as vidas importam”, “150 mortes por uma guerra política” e “Castro assassino”. Adicionalmente, dezenas de bandeiras do Brasil, maculadas com manchas vermelhas, foram exibidas.

“Não é possível que esse governador não seja responsabilizado por tantas vidas. Ou nós já temos pena de morte no país? O que aconteceu dentro da comunidade foi um genocídio. Toda véspera de eleição, tem uma estratégia de entrar nas nossas comunidades, matar o nosso povo e causar o terror”, declarou Rute Sales, moradora da região e ativista. Ela acrescentou: “Os corpos estão sendo usados politicamente. E os corpos que tombam são os nossos, do povo preto e do povo pobre. Não aguentamos mais”.

O protesto ocorreu pouco antes de uma reunião entre o governador Castro e o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. No encontro, foi anunciada a criação de um escritório emergencial com o objetivo de enfrentar o crime organizado no estado e aprimorar a integração entre as esferas federal e estadual.

A coordenação do escritório será compartilhada entre o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, e o secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos.

Lewandowski informou que o governo federal aumentará o efetivo da Polícia Rodoviária Federal em 50 agentes nas estradas, além de reforçar o contingente de agentes de inteligência no estado. Peritos e vagas nos presídios federais também foram colocados à disposição, caso o governo estadual necessite.

Apesar do elevado número de mortes, do clima de caos instaurado na cidade e das denúncias de moradores da Penha e do Alemão sobre supostas execuções e torturas nas comunidades, o governador Claudio Castro classificou a operação como um sucesso, afirmando que as únicas vítimas dos confrontos foram os quatro policiais mortos.

Segundo Castro, a operação representou um “duro golpe na criminalidade” e não houve precipitação por parte das forças de segurança.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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