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Líbano e Iraque surpreendem Israel e EUA na guerra regional

© Reuters/Mussa Qawasma/Proibida reprodução

O conflito no Oriente Médio ganha novas e complexas dimensões com o surpreendente aumento das atividades de grupos aliados ao Irã em frentes estratégicas no Líbano e no Iraque. A intensidade das operações do Hezbollah no sul libanês e a crescente pressão das milícias xiitas iraquianas pela saída das tropas dos Estados Unidos do país estão redefinindo as dinâmicas da guerra, desafiando as estratégias de Israel e Washington. Analistas apontam que a reativação e fortalecimento dessas frentes têm colocado Irã em uma posição de vantagem estratégica, testando a capacidade de defesa e o poderio militar de seus adversários. Esta escalada regional sugere um novo capítulo no embate geopolítico.

A frente libanesa: a surpreendente resiliência do Hezbollah

A atuação do Hezbollah no sul do Líbano tem sido uma das maiores surpresas no cenário de guerra, demonstrando uma capacidade de resistência e ofensiva que parece exceder as expectativas de Israel. O grupo tem anunciado uma campanha diária de dezenas de ações militares contra posições israelenses na fronteira, visando não apenas infraestruturas, mas também veículos blindados. De acordo com o Hezbollah, um número expressivo de quase 100 tanques Merkava, um dos pilares da força terrestre israelense, teriam sido destruídos durante o período do conflito. A intensidade das operações é notável, com o grupo libanês reivindicando a realização de 103 operações somente nas últimas 24 horas em um dos períodos mais ativos da guerra. Essa frequência e escala dos ataques impõem um desafio significativo às Forças de Defesa de Israel.

Ações diárias e impacto nos alvos israelenses

As operações do Hezbollah não se limitam a ataques de foguetes; o grupo tem utilizado uma gama diversificada de táticas e armamentos para atingir alvos israelenses. Além dos mísseis e foguetes, a introdução de drones FPV (First Person View) tem se mostrado particularmente eficaz. Esses drones, pilotados com precisão, conseguem atacar tanques em seus pontos mais vulneráveis, conferindo uma vantagem tática considerável sobre as unidades blindadas, que são a espinha dorsal da capacidade ofensiva do exército israelense. Essa abordagem coordenada e multifacetada aumenta a pressão sobre o sistema de defesa aérea de Israel e exige uma constante realocação de recursos e atenção por parte das forças israelenses, que se veem divididas entre diferentes frentes de combate.

Análise dos especialistas sobre o desempenho do Hezbollah

Especialistas em segurança e relações internacionais têm observado com atenção a performance do Hezbollah. Danny Zahreddine, professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas e oficial de artilharia da reserva do Exército brasileiro, avalia que o grupo libanês surpreendeu ao demonstrar grande capacidade de resistência e articulação tática. Ele destaca o vasto arsenal de mísseis e foguetes do Hezbollah, afirmando que a destruição de dezenas de tanques Merkava é uma condição difícil para Israel. O major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, complementa essa análise, indicando que a recuperação do Hezbollah tem impedido Israel de avançar por terra em direção ao Rio Litani, um objetivo estratégico de Tel Aviv. Costa enfatiza que os ataques coordenados do Hezbollah com mísseis iranianos aumentam a eficiência e o estresse sobre o sistema de defesa aérea israelense, que já tem demonstrado algumas debilidades.

A crescente pressão no Iraque e o endurecimento contra os EUA

No Iraque, a situação também se tornou um ponto de tensão crítico, com o governo iraquiano e milícias aliadas ao Irã endurecendo sua postura contra os Estados Unidos e Israel. O ponto de inflexão ocorreu após um ataque a um quartel-general e uma clínica médica ocupada por milícias xiitas pró-Irã na cidade de Habbaniyah, que resultou na morte de 15 combatentes das Forças de Mobilização Popular (FMP). Este incidente provocou uma forte reação do governo do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani, que rapidamente autorizou as FMP a exercerem o direito à autodefesa. Em um movimento diplomático contundente, Bagdá acusou abertamente Washington pelos ataques e convocou o encarregado de negócios dos EUA, a quem foi entregue uma “carta de protesto veemente”, sinalizando uma deterioração significativa nas relações.

Ataques e a resposta iraquiana

Após os ataques em Habbaniyah, a Resistência Islâmica no Iraque, um grupo que congrega várias facções armadas pró-Irã, intensificou suas operações. O grupo tem reivindicado ataques com drones e mísseis contra bases militares dos Estados Unidos localizadas no Iraque, bem como contra a embaixada norte-americana em Bagdá. Essa onda de ataques tem elevado o nível de alerta na região, forçando as forças americanas a permanecerem em constante vigilância. A tensão crescente fez com que a Embaixada dos EUA em Bagdá emitisse alertas de segurança, aconselhando seus cidadãos e funcionários a não tentarem se deslocar para a embaixada na capital ou para o consulado-geral em Erbil, citando o “risco contínuo de mísseis, drones e foguetes no espaço aéreo iraquiano”.

Ações da Resistência Islâmica e alertas de segurança

A escalada da Resistência Islâmica no Iraque demonstra a capacidade dos grupos pró-Irã de desestabilizar a presença americana e israelense na região. Os ataques com drones e mísseis, frequentemente dirigidos a instalações consideradas símbolos da influência ocidental, servem como uma demonstração de força e uma tentativa de forçar a retirada das tropas americanas, um objetivo de longa data de várias milícias e do próprio Irã. Os alertas de segurança emitidos pela Embaixada dos EUA sublinham a seriedade da ameaça e a vulnerabilidade percebida das instalações diplomáticas e militares diante dos avanços tecnológicos e táticos dos grupos adversários. Essa situação não apenas coloca em risco o pessoal americano, mas também complica os esforços de estabilização regional, ao mesmo tempo em que fortalece a narrativa de que a presença militar dos EUA no Iraque é um fator de contínua instabilidade.

A vantagem estratégica do Irã e as defesas de Israel

A análise de especialistas sugere que, após quase um mês de conflito, o Irã tem conseguido se posicionar de forma mais favorável que seus adversários, os Estados Unidos e Israel. A reativação da frente libanesa com o Hezbollah, combinada com a pressão das milícias iraquianas pela saída das tropas americanas, dividiu as forças israelenses e enfraqueceu a posição dos EUA tanto simbólica quanto realisticamente. Essa resiliência iraniana demonstra uma capacidade de defesa robusta e indica que qualquer tentativa de invasão terrestre ou marítima por parte de seus adversários poderia resultar em um agravamento ainda maior do conflito.

Avaliação de especialistas sobre a posição iraniana

Danny Zahreddine, da PUC de Minas, salienta que o cenário de ter duas frentes ativas dividiu a força israelense e que a vitória das milícias iraquianas, forçando a saída dos americanos, enfraquece o ponto de vista tanto simbólico quanto real, aumentando a capacidade defensiva do Irã. A resiliência iraniana, segundo ele, revela que uma escalada direta de combate por terra ou mar resultaria em um problema ainda maior. O major-general Agostinho Costa corrobora essa visão, afirmando que o Irã possui uma “vantagem estratégica” sobre os EUA e Israel no campo de batalha. Costa aponta para a capacidade iraniana demonstrada nos domínios de mísseis, drones e na parte marítima, com “enxames de embarcações rápidas que lançam mísseis antinavio”, um conjunto de soluções que, segundo ele, anulam o poder aéreo norte-americano e israelense. Ele acrescenta que EUA e Israel estão em um impasse no Oriente Médio, para o qual não encontram saída, o que gera pressão política para um acordo rápido.

A eficácia das defesas de Israel em xeque

A situação interna de Israel, especialmente no que diz respeito à eficácia de suas defesas aéreas, é envolta em alguma incerteza devido à forte censura governamental sobre a divulgação de informações. Tel Aviv afirma interceptar cerca de 90% dos mísseis iranianos e do Hezbollah lançados contra seu território. No entanto, Danny Zahreddine levanta um ponto crucial: “Se eles interceptarem 90% dos mísseis e se 10% entrarem, esses 10% que entram criam um problema real para Israel, porque eles atingem alvos estratégicos”. Ele também destaca a dificuldade em repor esses equipamentos antiaéreos em um curto período. Agostinho Costa corrobora a análise, questionando a credibilidade total das informações de Tel Aviv e avaliando que os 10% que conseguem passar são capazes de causar um grande estrago. Os mísseis que atingiram o norte de Israel, em particular, sugerem que o país é forçado a fazer uma análise criteriosa sobre o que defender e o que permitir que passe, indicando uma sobrecarga ou uma limitação do sistema de defesa.

Capacidade ofensiva iraniana: resiliência e inovação

Apesar dos bombardeios e ataques dos EUA e Israel que buscam minar sua infraestrutura militar, o Irã tem demonstrado uma capacidade ofensiva e resiliência notáveis. Danny Zahreddine observa que, mesmo após quase um mês de guerra, os iranianos mantêm um domínio do espaço aéreo dos países do Golfo e conseguem penetrar suas armas dentro de Israel, revelando uma altíssima capacidade de resiliência. O major-general Agostinho Costa reforça essa visão, afirmando que não parece que o Irã tenha sido substancialmente debilitado em sua capacidade ofensiva, citando que já se registram 86 levas de mísseis e drones desde o início do conflito. Costa explica que os principais centros de lançamento iranianos são subterrâneos, permitindo que os mísseis se movimentem em túneis, abram tampas de aço e sejam lançados rapidamente, fechando antes que as forças americanas ou israelenses tenham tempo de reação. Essa infraestrutura robusta e táticas inovadoras conferem ao Irã uma persistência em sua capacidade ofensiva, desafiando a percepção de que estaria enfraquecido.

Perguntas frequentes sobre o conflito no Oriente Médio

O que são as FMP mencionadas no Iraque?
As FMP, ou Forças de Mobilização Popular, são um conjunto de milícias xiitas predominantemente pró-Irã que operam no Iraque. Embora algumas facções tenham sido integradas às forças de segurança iraquianas, elas mantêm graus variados de autonomia e influência, desempenhando um papel significativo na segurança e na política do país.

Qual a importância estratégica do Rio Litani para Israel?
O Rio Litani é um recurso hídrico vital no sul do Líbano. Para Israel, a sua ocupação representa um objetivo estratégico importante, tanto para fins de segurança, criando uma zona de amortecimento, quanto para o controle de recursos hídricos. A capacidade do Hezbollah de impedir o avanço terrestre israelense até este rio é um indicativo de sua força e efetividade tática.

Por que o Irã é considerado em vantagem estratégica?
Especialistas apontam que o Irã obteve vantagem estratégica devido à sua capacidade demonstrada no domínio de mísseis e drones, bem como suas táticas navais com “enxames de embarcações rápidas”. Essas soluções teriam neutralizado o poder aéreo norte-americano e israelense. Além disso, a reativação da frente libanesa com o Hezbollah e a pressão das milícias iraquianas dividiram as forças adversárias, e a alta resiliência iraniana a ataques externos contribui para essa percepção de vantagem.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste complexo conflito regional. Para análises aprofundadas e atualizações contínuas sobre geopolítica no Oriente Médio, explore mais conteúdo em nossa seção de notícias internacionais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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