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Justiça mantém prisão de charreteiro acusado de matar ciclista em Itanhaém

G1

A justiça decidiu manter a prisão preventiva de Rudney Gomes Rodrigues, o charreteiro acusado de atropelar e matar a ciclista Thalita Danielle Hoshino, de 38 anos, em fevereiro de 2025, na faixa de areia de Itanhaém, litoral de São Paulo. A decisão foi proferida enquanto o processo avança, com a audiência de instrução programada para continuar em 27 de março, no Fórum de Peruíbe. Neste dia, testemunhas devem ser ouvidas, e o próprio réu será interrogado. O caso, que inicialmente era tratado como tentativa de homicídio, teve sua tipificação alterada para homicídio consumado após o falecimento da vítima, gerando grande repercussão e levantando questões sobre a segurança nas praias e a prática de atividades irregulares. A complexidade do incidente, envolvendo a suspeita de uma corrida de charretes, amplia o leque de investigados e aprofunda a análise judicial.

O acidente fatal e a investigação

O trágico incidente que resultou na morte da ciclista Thalita Danielle Hoshino, de 38 anos, ocorreu em 23 de fevereiro de 2025. Naquele dia, Thalita e sua amiga, Gabriela Ferreira Neves de Andrade, de 26 anos, desfrutavam de um passeio de bicicleta pela faixa de areia da praia, na altura da Avenida Santa Cruz, em Itanhaém, no litoral paulista. O lazer foi abruptamente interrompido quando Thalita foi violentamente atingida por uma charrete.

A tragédia na faixa de areia

Após o atropelamento, Thalita foi prontamente socorrida e levada ao Hospital Irmã Dulce. Lá, permaneceu internada em estado grave, sofrendo de um traumatismo cranioencefálico (TCE). Infelizmente, dois dias depois do acidente, apesar dos esforços médicos, a ciclista não resistiu aos graves ferimentos e faleceu.

A morte de Thalita mudou o curso da investigação. O delegado Arilson Veras Brandão, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itanhaém, reclassificou a tipificação do crime no inquérito. O que inicialmente era tratado como homicídio tentado passou a ser investigado como homicídio consumado, refletindo a gravidade da situação e o desfecho fatal.

As prisões e a corrida de charretes

O condutor da charrete, Rudney Gomes Rodrigues, de 31 anos, foi preso em Praia Grande em 29 de março de 2025. Ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Peruíbe, onde permanece sob prisão preventiva, aguardando o julgamento. Contudo, a investigação revelou que o caso se estende para além da ação individual de Rudney.

Segundo o Ministério Público (MP), o atropelamento ocorreu durante uma competição irregular de charretes, organizada e disputada em grupo na faixa de areia da praia. Essa nova informação levou à denúncia de outras quatro pessoas por participação no caso. O MP argumenta que a disputa era promovida de forma conjunta, caracterizando um “concurso de pessoas”. Neste cenário, todos que contribuem para a prática do crime podem ser responsabilizados pelo resultado, mesmo que não tenham executado diretamente o ato que causou a morte.

Em decorrência dessas descobertas, Fabiano Helarico Ribeiro e Karina Santos Ribeiro também foram presos preventivamente e aguardam julgamento, sob a mesma acusação de participação na organização e execução da corrida de charretes. Além deles, Salvador Marcelo Gozza e Éder Manoel Bimbati da Silva foram denunciados e, atualmente, encontram-se foragidos, sendo procurados pelas autoridades para responderem às acusações. A manutenção das prisões preventivas de todos os réus, incluindo os dois foragidos, foi determinada pelo juiz, que negou os pedidos de liberdade provisória, enfatizando a persistência dos requisitos legais para a custódia cautelar.

Os argumentos das partes e a justiça

O processo judicial que apura a morte de Thalita Danielle Hoshino é marcado por versões conflitantes entre as partes envolvidas, o que ressalta a importância das próximas etapas da audiência de instrução. A justiça busca esclarecer os fatos e determinar as responsabilidades no trágico acidente.

Versões divergentes sobre o ocorrido

A amiga de Thalita, Gabriela Ferreira Neves de Andrade, que estava pedalando ao lado da vítima no momento do acidente, contestou veementemente a versão inicial apresentada por Rudney Gomes Rodrigues à polícia. Em depoimento, o condutor da charrete havia afirmado que não percebeu a aproximação da ciclista e a atingiu quando ela passava à frente do veículo.

Gabriela, por outro lado, relatou que a charrete, puxada por cavalos, estava em alta velocidade. Sua convicção é que Rudney estava participando de uma corrida com outro charreteiro. “Ele não estava passeando com o cavalo, eles estavam correndo. Eu lembro exatamente que eles estavam correndo. E pela pancada que foi, pelo estado que a bicicleta ficou, dá para comprovar que foi uma corrida”, afirmou a amiga, reforçando a teoria de uma competição ilegal como pano de fundo para a tragédia. Um vídeo gravado pela própria Thalita minutos antes do acidente, onde a amiga alerta sobre a passagem de veículos, serve como um dos indícios a serem analisados.

A defesa de Rudney Gomes Rodrigues, representada pelo advogado Luciano Fernandes Ribeiro à época do crime, apresentou uma versão contrária. De acordo com o advogado, a esposa do acusado prestou depoimento em 31 de março de 2025, afirmando que o atropelamento foi acidental. A defesa também salientou que Rudney prestou socorro à vítima no local e compareceu espontaneamente à delegacia para prestar esclarecimentos.

Além disso, a defesa negou qualquer participação de Rudney em corridas de charretes. Ele teria afirmado que não percebeu o momento do acidente e que a faixa de areia estava deserta. Segundo o advogado, Rudney estava no local apenas para passear com a égua, que havia sido comprada há cerca de um mês. O advogado acrescentou que, em nenhum momento, seu cliente disse que estava “testando” o animal, mas sim “conhecendo” e passeando com a égua recém-adquirida, reforçando a tese de um acidente involuntário.

A manutenção das prisões preventivas

O juiz responsável pelo caso analisou os pedidos de liberdade provisória apresentados pelas defesas dos réus (Rudney, Fabiano e Karina) e decidiu mantê-los sob prisão preventiva. A decisão judicial foi fundamentada na compreensão de que os requisitos legais para a custódia cautelar ainda permanecem presentes. Isso significa que, na avaliação do magistrado, a soltura dos acusados neste momento poderia, por exemplo, representar risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. A gravidade dos fatos, a pluralidade de agentes envolvidos e a suspeita de uma atividade ilícita organizada (a corrida de charretes) são fatores que pesam na manutenção das prisões, garantindo que os réus permaneçam à disposição da justiça enquanto o processo segue seu curso. A situação dos foragidos Salvador Marcelo Gozza e Éder Manoel Bimbati da Silva também se enquadra nesta decisão judicial, com suas prisões preventivas igualmente mantidas.

Os próximos passos do processo

A continuidade da audiência de instrução, marcada para 27 de março no Fórum de Peruíbe, será um momento crucial para o desdobramento do caso que apura a morte da ciclista Thalita Danielle Hoshino. Nesta sessão, espera-se a oitiva das testemunhas restantes e o interrogatório do réu Rudney Gomes Rodrigues, o que permitirá à justiça coletar mais elementos e confrontar as versões apresentadas. A conclusão desta fase é fundamental para a preparação do julgamento principal, que já tem data marcada para 13 de abril de 2026. A complexidade do caso, envolvendo múltiplos réus, denúncias de corrida ilegal de charretes e a manutenção de prisões preventivas, exige uma análise aprofundada por parte do Judiciário para que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas. A expectativa é que as provas e os depoimentos contribuam para a elucidação completa dos fatos e a garantia da justiça para a vítima e seus familiares.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Quem era Thalita Danielle Hoshino e como ela faleceu?
Thalita Danielle Hoshino era uma ciclista de 38 anos que faleceu em 25 de fevereiro de 2025, dois dias após ser atropelada por uma charrete enquanto pedalava na faixa de areia em Itanhaém, litoral de São Paulo. Ela sofreu um traumatismo cranioencefálico em decorrência do acidente.

2. Qual é a situação atual do charreteiro Rudney Gomes Rodrigues?
Rudney Gomes Rodrigues, o charreteiro acusado de atropelar Thalita, está preso preventivamente desde 29 de março de 2025 na Cadeia Pública de Peruíbe. Sua prisão foi mantida pela justiça, e ele aguarda o julgamento, com a próxima audiência de instrução marcada para 27 de março.

3. Por que outras pessoas foram denunciadas no caso?
Outras quatro pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público por suspeita de participação em uma corrida ilegal de charretes que teria resultado no atropelamento de Thalita. Segundo o MP, a disputa era organizada em grupo, caracterizando “concurso de pessoas”, onde todos que contribuem para o crime podem ser responsabilizados. Dois dos denunciados, Fabiano Helarico Ribeiro e Karina Santos Ribeiro, também estão presos preventivamente, enquanto Salvador Marcelo Gozza e Éder Manoel Bimbati da Silva estão foragidos.

4. Quando está previsto o julgamento final do caso?
O julgamento final do caso, onde a sentença será proferida, está marcado para 13 de abril de 2026. Antes disso, ocorrerão as audiências de instrução para coleta de provas e depoimentos.

Mantenha-se informado sobre este e outros casos de grande impacto. Acompanhe as atualizações para entender o desfecho da busca por justiça neste incidente em Itanhaém.

Fonte: https://g1.globo.com

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