Site icon Itapevi Noticias

Juros altos impactam mais o emprego que tarifas nos EUA, diz Marinho

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou recentemente que os juros altos praticados na economia brasileira em 2025 tiveram um impacto mais significativo na geração de empregos formais do que as sobretaxas impostas pelo governo dos Estados Unidos, então liderado por Donald Trump. A declaração sublinha uma perspectiva crítica sobre a política monetária. Marinho argumenta que, embora as tarifas tenham provocado efeitos setoriais específicos, a taxa básica de juros, a Selic, representou um entrave mais amplo para os investimentos e as contratações em nível nacional, afetando diretamente a capacidade de expansão e manutenção de postos de trabalho. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) confirmam um desempenho aquém do esperado para o ano, com a criação de vagas formais registrando uma desaceleração notável em comparação com o ano anterior, reforçando a preocupação do ministro com a política econômica.

A controvérsia econômica: Juros versus tarifas na geração de empregos

A análise do ministro Luiz Marinho coloca em perspectiva dois fatores macroeconômicos de grande influência na dinâmica do mercado de trabalho: a política monetária doméstica, expressa na taxa básica de juros, e as barreiras comerciais impostas por potências estrangeiras. Segundo Marinho, a elevação da Taxa Selic, que atingiu 15% ao ano em 2025, exerceu um peso mais significativo e abrangente sobre a capacidade de criação de empregos do que o chamado “tarifaço” promovido pelo governo dos Estados Unidos. Essa distinção é crucial para entender os desafios enfrentados pela economia brasileira naquele período.

O peso da política monetária

A Taxa Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, impacta diretamente o custo do crédito e, por consequência, o volume de investimentos na economia. Quando elevada, a Selic encarece os empréstimos para empresas, desestimulando a expansão de negócios, a compra de máquinas e equipamentos, e, crucialmente, as novas contratações. O ministro Marinho foi enfático ao afirmar que, do ponto de vista global da indústria, o efeito dos juros é “mais danoso”.

A crítica de Marinho se estende à própria estratégia do Banco Central, que, segundo ele, “esperava e trabalhou para diminuir o ritmo do crescimento” como forma de controlar a inflação. Contudo, essa desaceleração forçada, para o ministro, tem um custo elevado: “o problema é que isso reflete em queimar orçamento para pagar juros”. A alta Selic eleva o custo da dívida pública, desviando recursos que poderiam ser investidos em programas sociais, infraestrutura ou incentivos à produção e ao emprego. Para 2026, Marinho alertou que, apesar de números preliminares positivos em janeiro, a manutenção de juros elevados poderia “comprometer uma parte significativa do ano”, pois investidores naturalmente “posterguem decisões” diante de um cenário de crédito caro e incerto.

O impacto das barreiras comerciais

Em contraste com os juros, o “tarifaço” imposto por Donald Trump concentrou seus efeitos em setores específicos da economia brasileira. Essas sobretaxas, que visavam proteger a indústria americana, tornaram produtos brasileiros menos competitivos no mercado dos EUA, resultando em uma queda de 6,6% nas exportações para o país em 2025, um dado relevante para setores como siderurgia, alumínio e outras commodities.

Contudo, Marinho argumentou que o impacto dessas tarifas, embora real, foi parcialmente mitigado por ações governamentais. Medidas como a abertura de novos mercados para produtos brasileiros e o desenvolvimento de planos de apoio a empresas afetadas ajudaram a diluir os prejuízos e a evitar uma crise mais generalizada no setor exportador. Enquanto as tarifas representaram um obstáculo pontual para alguns segmentos, a taxa de juros elevada, por sua natureza, atuou como um freio generalizado sobre a economia, afetando desde grandes indústrias até pequenos e médios negócios, e a capacidade de consumo das famílias.

Panorama do mercado de trabalho brasileiro em 2025

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para 2025 reforçam a tese do ministro Luiz Marinho sobre a desaceleração do mercado de trabalho e as possíveis causas. O ano registrou um desempenho significativamente inferior ao período anterior, apontando para um cenário de recuperação mais lenta e desafiadora.

Desempenho aquém do esperado

Em 2025, o Brasil conseguiu criar 1,279 milhão de vagas formais de emprego. Embora positivo, esse resultado representa uma queda substancial de 23,73% em comparação com 2024, quando foram abertas cerca de 1,677 milhão de vagas. Esse desempenho é o pior desde 2020, um ano atípico, profundamente marcado pela pandemia de COVID-19, que resultou em um saldo negativo de empregos. A comparação com 2020 é alarmante, pois sugere que a recuperação pós-pandemia ainda não se consolidou plenamente, ou que novos fatores, como a política monetária, impuseram novos entraves. A menor criação de empregos formais indica uma dificuldade das empresas em expandir suas equipes ou até mesmo em manter o ritmo de contratações dos anos anteriores.

Dinâmica de admissões e desligamentos

Apesar da desaceleração na criação líquida de vagas, o mercado de trabalho em 2025 demonstrou uma grande movimentação. O saldo positivo de 1,279 milhão de empregos foi resultado de um impressionante volume de 26,6 milhões de admissões contra 25,3 milhões de desligamentos. Esses números evidenciam a intensa rotatividade no mercado, com empresas contratando e demitindo continuamente, o que pode refletir tanto um dinamismo necessário quanto uma instabilidade nas relações de trabalho.

Em dezembro de 2025, como é tradicionalmente esperado devido a fatores sazonais, o mercado de trabalho registrou um fechamento líquido de 618 mil vagas. Marinho apontou que esse número estava “em linha com o padrão histórico do mês”, atribuindo-o ao fim de contratos temporários, comuns no comércio e serviços durante o período de festas de fim de ano, e a ajustes de custos realizados pelas empresas ao final do exercício. No entanto, mesmo com a sazonalidade, o contexto de juros altos e menor crescimento econômico pode ter acentuado esses desligamentos, tornando a retomada mais difícil no início do ano seguinte.

Outros indicadores de impacto

A elevação dos juros não se restringe apenas ao crédito empresarial. Indicadores relacionados mostram um cenário de maior pressão sobre as finanças das famílias e o custo de vida. Em 2025, os juros para famílias subiram para 60,1% ao ano, impactando diretamente o poder de compra e a capacidade de endividamento, o que, por sua vez, afeta o consumo e, indiretamente, a demanda por produtos e serviços que geram empregos. A inflação do aluguel, embora tenha registrado uma queda em um ano, apresentou alta de 0,41% em janeiro, somando-se às pressões sobre o orçamento doméstico. Esses fatores contribuem para um ambiente econômico mais desafiador, onde a prudência nos investimentos e gastos se torna a norma, dificultando a recuperação robusta do mercado de trabalho.

Perspectivas e desafios para o futuro do emprego

A análise do ministro Luiz Marinho sublinha a complexidade dos fatores que influenciam a geração de empregos no Brasil. Ao priorizar a influência dos juros altos sobre o impacto das tarifas comerciais, a discussão se desloca para o cerne da política econômica nacional. A sustentabilidade da recuperação do mercado de trabalho dependerá, em grande parte, da capacidade de harmonizar as políticas monetária e fiscal com as necessidades de fomento ao investimento e à criação de vagas. A manutenção de um cenário de crédito caro e a pressão sobre os orçamentos empresariais e familiares podem continuar a ser obstáculos significativos para alcançar um crescimento econômico mais robusto e inclusivo nos anos seguintes. O desafio é equilibrar o controle inflacionário com a promoção do desenvolvimento, garantindo um ambiente propício para que a economia brasileira possa gerar mais e melhores oportunidades de trabalho.

FAQ

O que significa a afirmação de que os juros altos impactaram mais o emprego que as tarifas?
Significa que, na visão do ministro Luiz Marinho, a política de alta taxa básica de juros (Selic) teve um efeito mais disseminado e prejudicial sobre o conjunto da economia, encarecendo o crédito e desestimulando investimentos e contratações em diversos setores, em comparação com as tarifas impostas pelos EUA, que afetaram principalmente segmentos específicos da exportação.

Como os juros altos afetam diretamente a criação de empregos?
Juros altos encarecem o custo de empréstimos para empresas, dificultando novos investimentos em expansão, modernização ou abertura de filiais. Isso reduz a demanda por capital e, consequentemente, por mão de obra. Além disso, taxas elevadas impactam o consumo das famílias, diminuindo a demanda geral e a necessidade de produção e serviços, o que também freia as contratações.

Quais foram as medidas do governo para mitigar o impacto das tarifas americanas?
O governo buscou diversificar os mercados de exportação para produtos brasileiros, procurando novos compradores além dos Estados Unidos. Além disso, implementou planos de apoio e incentivo a empresas e setores que foram mais diretamente afetados pelas barreiras tarifárias, visando minimizar os prejuízos e manter a competitividade.

O que os dados do Caged de 2025 revelam sobre o mercado de trabalho?
Os dados do Caged de 2025 mostraram a criação de 1,279 milhão de vagas formais, um volume 23,73% menor do que o registrado em 2024. Esse foi o pior desempenho desde o ano da pandemia (2020), indicando uma desaceleração significativa na capacidade de geração de empregos e um desafio para a recuperação econômica.

Mantenha-se informado sobre as análises econômicas e seus desdobramentos no mercado de trabalho. Assine nossa newsletter para receber atualizações diárias e aprofundar seu conhecimento sobre os temas que impactam o seu futuro e o do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Exit mobile version