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Investir em clima estável salva vidas e gera trilhões, diz ONU

© Ralf Vetterle/Pixabay

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lançou, em Nairóbi, a sétima edição do Panorama Ambiental Global (GEO7), um documento que serve como a principal avaliação científica periódica sobre a trajetória ambiental do planeta. Este relatório crucial alerta que a inação diante dos crescentes desafios climáticos e ambientais poderá resultar em milhões de mortes prematuras e em danos financeiros de proporções gigantescas. No entanto, o GEO7 não se limita a expor os riscos; ele também apresenta um roteiro detalhado de soluções viáveis que podem prevenir essas mortes, reduzir a pobreza global e gerar um retorno econômico impressionante de US$ 20 trilhões por ano à economia mundial até 2070. A mensagem é clara: o investimento climático e a ação ambiental não são apenas imperativos morais, mas também estratégias economicamente vantajosas e essenciais para a saúde e o bem-estar da humanidade. A urgência de uma transformação sem precedentes em nossos sistemas globais nunca foi tão evidente.

A urgência da ação e o custo da inação

O Panorama Ambiental Global (GEO7) desenha um cenário alarmante para o futuro caso a humanidade persista na inação frente às crises climáticas e ambientais. A manutenção do status quo pode levar a consequências devastadoras, que se manifestarão em perdas inestimáveis de vidas humanas e em um colapso financeiro sem precedentes em escala global. Este panorama científico não apenas quantifica os riscos, mas também sublinha a interconexão profunda entre a saúde do planeta, o bem-estar social e a estabilidade econômica.

Milhões de vidas em risco e danos financeiros massivos

A inação diante dos desafios ambientais pode custar milhões de vidas. O GEO7 projeta que, sem mudanças significativas, seriam evitadas 9 milhões de mortes prematuras anualmente, atualmente relacionadas à poluição. Além disso, a crise ambiental aprofundaria a insegurança alimentar, contribuindo para que 200 milhões de pessoas sofram de subnutrição, e perpetuaria a pobreza extrema, com 150 milhões de indivíduos permanecendo abaixo da linha da pobreza. Esses números não representam apenas estatísticas, mas vidas humanas impactadas diretamente pela degradação ambiental.

Os custos financeiros da inação são igualmente assustadores. Inger Andersen, diretora executiva do Pnuma, ressalta que “as mudanças climáticas reduzirão 4% do PIB anual até 2050, tirarão muitas vidas e aumentarão a migração forçada”. A trajetória de aumento da temperatura e os extremos climáticos já somam um custo estimado em US$ 143 bilhões por ano nas últimas duas décadas. Somam-se a isso as perdas econômicas anuais relacionadas à saúde, como as decorrentes da poluição do ar, que apenas em 2019 exigiram US$ 8,1 trilhões, ou as causadas pela exposição a substâncias químicas tóxicas presentes nos plásticos, estimadas em US$ 1,5 trilhão anualmente. Diante desses custos sociais e econômicos, a trajetória de inação, segundo os cientistas, não é mais uma escolha, mas sim um caminho insustentável e inevitável de perdas.

O caminho para a transformação: investimentos e sistemas

O GEO7 não se limita a apontar os problemas; ele oferece um mapa para a recuperação e a resiliência do planeta. As recomendações do relatório enfatizam que a solução reside em transformações profundas e integradas em diversos sistemas globais, apoiadas por investimentos substanciais e uma mudança de paradigma na tomada de decisões. Este é um esforço coletivo que exige a participação de governos, setores privados e a sociedade civil em todo o mundo.

Soluções e o potencial econômico

Para reverter a atual trajetória, o relatório aponta que são necessários investimentos da ordem de US$ 8 trilhões anuais. Este montante seria crucial para que o planeta alcance a meta de neutralizar as emissões de gases do efeito estufa até 2050, além de permitir que as nações consigam restaurar e promover a conservação da biodiversidade. Apesar do alto valor, os cientistas e especialistas do Pnuma argumentam que o custo da inação é muito maior, e os benefícios dos investimentos superam em muito o capital inicial.

Os danos evitados e os retornos de longo prazo sobre esses investimentos mais do que compensam o que é necessário. A diretora Inger Andersen reforça que os benefícios macroeconômicos globais desse caminho aparecerão em 2050 e crescerão para US$ 20 trilhões por ano até 2070, com um “boom” a partir de então. Isso significa que a transição para uma economia verde não é apenas ambientalmente responsável, mas também uma poderosa alavanca de crescimento econômico e prosperidade.

Robert Watson, copresidente de avaliação do GEO7, sublinha a necessidade de mudanças profundas em cinco sistemas e um esforço coletivo e inclusivo. Isso “vai requerer uma transformação sem precedentes, integrada, rápida e inovadora das nossas finanças, economia, dos materiais, energia, sistemas alimentares e ambientais”. Essa transformação exige uma mistura de mudanças de comportamento, inovações tecnológicas e uma abordagem integrada dos governos como um todo. Não é um desafio exclusivo para ministros do Meio Ambiente, mas para cada ministro, em cada governo, e para toda a sociedade. Além disso, o relatório sugere uma mudança no modelo de tomada de decisões, indo além do PIB como medida de bem-estar econômico. A diretora do Pnuma explica que é preciso utilizar indicadores inclusivos que também acompanham a saúde humana e o capital natural, e que incentivem a transição para modelos econômicos circulares e uma rápida descarbonização.

Análise abrangente e apelo global

O Panorama Ambiental Global (GEO7) representa um esforço científico monumental. Ele reúne o trabalho de 287 cientistas de 82 países, com contribuições de mais de 800 revisores do mundo todo. Essa abrangência e rigor científico visam responder à busca global por soluções efetivas e urgentes que tornem o planeta mais resiliente. O relatório não é apenas um diagnóstico; é um chamado à ação, um guia para a humanidade em um momento crítico. A diretora Inger Andersen conclui que o GEO7 deve “servir de motivação para que as nações deem seguimento aos progressos alcançados na COP30 da UNFCCC, implementando as suas atuais promessas climáticas e descobrindo formas de as reforçar ainda mais”. A mensagem é clara: as ferramentas e o conhecimento estão disponíveis; o que se requer agora é vontade política e ação coordenada em escala global para garantir um futuro sustentável e próspero para todos.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual é o principal alerta do Panorama Ambiental Global (GEO7)?
O principal alerta do GEO7 é que a inação diante das crises climáticas e ambientais pode resultar em milhões de mortes prematuras e em danos financeiros massivos, com perdas econômicas anuais na casa dos trilhões de dólares devido à poluição, extremos climáticos e outros impactos ambientais.

2. Quais são os benefícios econômicos de investir em soluções ambientais?
Segundo o relatório, o investimento em soluções ambientais pode gerar um retorno de US$ 20 trilhões por ano à economia mundial até 2070. Além disso, preveniria custos significativos associados à degradação ambiental, como a redução do PIB e gastos com saúde.

3. Que tipo de transformações são necessárias para alcançar os objetivos ambientais?
O relatório aponta para a necessidade de uma transformação sem precedentes, integrada, rápida e inovadora em cinco sistemas cruciais: finanças, economia, materiais, energia, sistemas alimentares e ambientais. Isso requer uma combinação de mudanças comportamentais, tecnológicas e de governança.

4. Qual o custo estimado para alcançar as metas climáticas globais e de biodiversidade?
O GEO7 estima que são necessários US$ 8 trilhões anuais para que o planeta alcance a meta de neutralizar as emissões de gases do efeito estufa até 2050 e para que as nações consigam restaurar e promover a conservação da biodiversidade.

Adote as recomendações do GEO7 e contribua para um futuro mais seguro e próspero. Invista em ações climáticas agora.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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