A responsabilidade de cuidar de filhos, familiares e do lar, historicamente atribuída às mulheres, torna-as mais suscetíveis à violência de gênero. Especialistas apontam que a sobrecarga com o trabalho de cuidado, aliada à dependência financeira, emocional e psicológica, cria um ambiente propício para agressões e violência doméstica.
Lei Maria da Penha: 20 Anos de Combate à Violência Contra a Mulher
No cenário em que a Lei Maria da Penha completa duas décadas, a professora Thamires da Silva Ribeiro, especialista em políticas de cuidado, destaca a relação direta entre a política de cuidado e o enfrentamento à violência contra a mulher. Mulheres sobrecarregadas com o trabalho de cuidado encontram-se em uma posição de maior vulnerabilidade, sem autonomia econômica para sair de situações de violência.
Desigualdades Agravadas para Mulheres Negras
Thamires ressalta que as condições são ainda mais críticas para as mulheres negras, que enfrentam as desigualdades sociais e históricas de forma amplificada. Dados mostram que, em média, as mulheres gastam mais que o dobro de horas semanais em atividades de cuidado do que os homens.
A especialista defende a importância da Política Nacional de Cuidados, criada para promover a corresponsabilização social entre gêneros, visando a redução da sobrecarga e a melhoria das condições das mulheres.
Violência contra a Mulher: Números Alarmantes no Brasil
Em 2025, o Brasil registrou um aumento de 4% nos casos de feminicídio, com média superior a quatro vítimas por dia. A dependência financeira e emocional, juntamente com a ilusão de que não é possível interromper o ciclo abusivo, são fatores que perpetuam a violência de gênero.
A advogada Marilha Boldt destaca a importância de reconhecer a dependência psicológica das mulheres, que muitas vezes as aprisiona em relacionamentos abusivos. Combater o patriarcado e promover a autonomia feminina são passos essenciais no enfrentamento à violência contra a mulher.
