As recentes Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central nesta segunda-feira (27) revelam que as famílias no Brasil continuam enfrentando forte pressão devido aos altos juros, o que tem impactado significativamente o nível de endividamento.
De acordo com os dados, a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas se manteve elevada em 61,5% ao ano em março, apesar de uma ligeira queda mensal de 0,4 ponto percentual. Esse cenário tem levado as famílias a recorrerem a modalidades de curto prazo, como o cartão de crédito, em busca de crédito mais acessível.
Inadimplência e Endividamento em Destaque
Com taxas de juros tão altas, a inadimplência do crédito total do Sistema Financeiro Nacional ficou em 4,3% da carteira em março, com uma queda mensal de 0,1 ponto percentual, mas um aumento de 1,0 ponto percentual em 12 meses. Entre as famílias, a taxa de inadimplência atingiu 5,3%, representando um aumento de 1,4 ponto percentual em relação ao ano anterior.
Expansão do Crédito e Impacto nas Famílias
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro, com um aumento de 0,1 ponto percentual no mês e de 1,3 pontos percentuais em 12 meses. Por outro lado, o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,7%, registrando um aumento de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,9 pontos percentuais na comparação anual.
O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 7,2 trilhões em março, com um crescimento mensal de 0,9%. O crédito às famílias totalizou R$ 4,5 trilhões, com uma alta mensal de 0,8% e uma expansão de 10,9% em 12 meses.
No crédito livre destinado às pessoas físicas, o saldo alcançou R$ 2,5 trilhões, crescendo 1,1% no mês e 12,3% em relação a março de 2025. Destaque para o aumento das operações com cartão de crédito à vista, crédito consignado para trabalhadores do setor privado e financiamentos de veículos.
Por fim, o crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$ 21,0 trilhões em março, equivalente a 162,3% do Produto Interno Bruto (PIB), com uma leve retração de 0,3% no mês e um crescimento de 11,2% em 12 meses. O cenário dos juros elevados e o impacto no endividamento das famílias brasileiras permanecem como desafios significativos a serem enfrentados.
