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Ex-companheiro preso após tentativa de feminicídio em São Vicente

G1

Na manhã do último domingo, uma tentativa de feminicídio chocou a população de São Vicente, no litoral de São Paulo. Guilherme da Silva, de 33 anos, foi detido em flagrante após invadir a residência de sua ex-companheira e agredi-la violentamente na presença do filho de apenas dois anos. A vítima, de 24 anos, sofreu graves lesões, incluindo socos no rosto, chutes no abdômen e um impacto de pedra na cabeça, resultando em intensa hemorragia e desmaio. O crime, classificado como tentativa de feminicídio em São Vicente, gerou uma rápida mobilização policial e levantou discussões urgentes sobre a violência doméstica e a proteção de crianças expostas a esses episódios traumáticos.

Agressão brutal e o resgate da vítima
Invasão, violência e primeiros socorros

O terrível episódio teve início na manhã de domingo (12), quando Guilherme da Silva invadiu a residência de sua ex-companheira no bairro Japuí, em São Vicente. A vítima, que estava dormindo, foi surpreendida pelo agressor, que a atacou de forma brutal. Conforme relatos, a mulher foi atingida com socos repetidos no rosto e chutes violentos no abdômen. Em um ato de crueldade ainda maior, enquanto a vítima já estava caída e desamparada, Guilherme utilizou uma pedra para golpear sua cabeça, causando-lhe um desmaio momentâneo e um sangramento intenso. Todo o ataque ocorreu na presença do filho de dois anos do casal, que testemunhou a violência contra a mãe.

Vizinhos, alertados pelos barulhos da agressão, acionaram a Polícia Militar. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a mulher caída no chão, com o rosto ensanguentado e múltiplos hematomas visíveis pelo corpo. A gravidade das lesões exigiu atendimento médico imediato. A vítima foi socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro Central de São Vicente, onde recebeu os primeiros cuidados. Após uma avaliação inicial, ela chegou a ser liberada com alta médica ainda no mesmo dia, dada a aparente estabilidade de seu quadro. Contudo, sua jornada de recuperação estava apenas começando e se mostraria mais complexa do que o previsto inicialmente.

A complexidade do caso e a versão dos envolvidos
Trajetória hospitalar e depoimentos cruciais

Apesar da alta inicial, o estado de saúde da vítima piorou horas depois, evidenciando a gravidade das agressões sofridas. Ao ser conduzida à delegacia para prestar depoimento, o ferimento em sua cabeça voltou a sangrar intensamente, e ela começou a vomitar sangue, sinais preocupantes que indicavam uma piora significativa. Diante da emergência, os agentes policiais a levaram novamente ao Pronto-Socorro Central de São Vicente. Devido à seriedade das lesões e à necessidade de cuidados mais especializados, a mulher foi transferida para o Hospital do Vicentino, onde permaneceu sob observação médica intensiva. A alta hospitalar definitiva só foi confirmada na noite do mesmo domingo, conforme relatado por seu pai, que acompanhou de perto a dramática recuperação da filha.

O agressor, Guilherme da Silva, havia fugido do local do crime imediatamente após as agressões. No entanto, uma equipe da Polícia Militar conseguiu localizá-lo na comunidade do México 70, em São Vicente. Ele foi preso em flagrante e indiciado por tentativa de feminicídio, ameaça e violação de domicílio. Guilherme também precisou de atendimento médico no Pronto-Socorro Central devido a ferimentos nas mãos, supostamente causados durante as agressões à ex-companheira. Após receber alta do PS, ele foi levado à delegacia, onde a autoridade policial representou pela conversão de sua prisão em flagrante para prisão preventiva, buscando garantir sua detenção enquanto o caso é investigado.

Em seu depoimento à Polícia Civil, o pai da vítima revelou que sua filha já havia sido alvo de ameaças de morte por parte de Guilherme na noite anterior ao ataque, inclusive direcionadas ao filho do casal. Ele relatou que o casal teve um relacionamento conturbado por cerca de cinco anos, resultando em dois filhos, de 2 e 5 anos. Segundo o pai, Guilherme era uma pessoa extremamente ciumenta e violenta, o que gerava um constante medo na filha, impedindo-a de registrar boletins de ocorrência anteriores. A família foi alertada sobre a tentativa de feminicídio por um vizinho na manhã de domingo, que informou sobre a invasão e a violência.

A versão apresentada por Guilherme da Silva em seu depoimento à corporação difere em alguns pontos. Ele afirmou ter invadido a casa da ex-companheira e a encontrado dormindo com o filho e outro homem na cama. O agressor alegou ter “ficado fora de si” e, tomado pela raiva, tentado matar a vítima. Guilherme disse ter corrido atrás do outro homem, mas, ao não alcançá-lo, retornou para continuar agredindo sua ex-companheira. Ao ser questionado sobre o paradeiro do filho mais novo, ele confirmou que a criança estava com a mãe e presenciou todo o ocorrido. O filho mais velho, de cinco anos, não estava na residência no momento do ataque. A presença de um “outro homem” não foi mencionada nos depoimentos da vítima ou das testemunhas.

Medidas legais e a luta contra a violência de gênero
Consequências e a importância da denúncia

A representação pela prisão preventiva de Guilherme da Silva reflete a seriedade dos crimes imputados e a necessidade de proteger a vítima e seus filhos. A tentativa de feminicídio, em especial, é um crime hediondo que visa coibir a violência de gênero, impondo penas severas a agressores. Além das acusações de tentativa de feminicídio, ameaça e violação de domicílio, a presença de uma criança como testemunha de tamanha violência pode agravar a situação legal do réu e evidencia o trauma psicológico imposto aos menores. O caso de São Vicente ressalta a importância da denúncia e da atuação rápida das autoridades para conter o ciclo da violência doméstica e garantir a segurança das vítimas. A luta contra a violência de gênero exige uma rede de apoio sólida, que inclui serviços de saúde, assistência social e o sistema de justiça, para que mulheres e crianças possam viver livres do medo e da agressão.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é tentativa de feminicídio?
Tentativa de feminicídio ocorre quando um homem tenta matar uma mulher por razões relacionadas à sua condição de mulher, mas não consegue concretizar o assassinato. As motivações geralmente incluem violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição feminina.

Quais são as penas para tentativa de feminicídio e crimes relacionados?
A pena para feminicídio (consumado ou tentado) é de reclusão de 12 a 30 anos. Em casos de tentativa, a pena pode ser reduzida de um a dois terços, dependendo da proximidade da consumação do crime. Crimes como ameaça e violação de domicílio são agravantes e podem adicionar anos à pena final.

Como denunciar casos de violência doméstica?
É fundamental denunciar casos de violência doméstica. As denúncias podem ser feitas pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher), em qualquer delegacia de polícia, especialmente nas Delegacias da Mulher, ou por meio do 190 (Polícia Militar) em casos de emergência. A vítima não precisa denunciar sozinha; amigos, familiares e vizinhos podem e devem fazê-lo.

O que significa prisão preventiva?
A prisão preventiva é uma medida cautelar que pode ser decretada pelo juiz durante a investigação ou processo penal, quando há fortes indícios de autoria e materialidade do crime, e a liberdade do suspeito representa risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. Ela não tem prazo determinado, mas deve ser reavaliada periodicamente.

Se você ou alguém que conhece está vivenciando uma situação de violência, não hesite em buscar ajuda. Ligue 180 ou procure uma delegacia. Sua vida vale a pena ser protegida.

Fonte: https://g1.globo.com

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