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Evangélicos rejeitam uso eleitoral de igrejas e valorizam liberdade de voto, aponta pesquisa

© Paulo Pinto/Agencia Brasil

Pastor Lucas Oliveira, de 30 anos, que atua em uma igreja batista de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, destaca que o voto deveria ser uma escolha do cidadão e não da religião. Essa reflexão sintetiza uma das principais conclusões da pesquisa nacional Religião e Vida Pública no Brasil, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria.

Mesmo estando no centro da disputa política, a maioria dos evangélicos e cristãos em geral rejeita que igrejas sejam usadas como espaços de campanha eleitoral ou que líderes religiosos ditem em quem os fiéis devem votar. De acordo com a pesquisa, 83% são contrários à indicação de voto por pastores e padres, 82% não apoiam a discussão política durante eventos religiosos e 90% são contra campanhas eleitorais dentro das instituições religiosas.

Influência indireta na política

A pesquisadora Lívia Reis, do Iser, ressalta que a influência religiosa na política ocorre mais pela formação de valores e identidades do que pela transferência direta de votos. Ela destaca que a politização dos templos gerou divisões nas comunidades, levando os fiéis a formarem suas opiniões políticas de forma independente das lideranças religiosas.

Para ilustrar essa realidade, o pastor Lucas Oliveira menciona casos de líderes religiosos que perderam fiéis após envolvimento político nas eleições passadas, tornando as igrejas locais espaços de descontentamento e divisão.

Consciência crítica no meio evangélico

O pastor Moisés Blanco, da Igreja Batista Peregrina em Natal, destaca uma reação dentro do campo evangélico contra a politização dos espaços religiosos. Ele faz parte da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que se opõe ao uso político dos templos e defende a liberdade de consciência dos fiéis.

A pesquisa Iser/Quaest, realizada por meio de 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios brasileiros, revelou que o segmento evangélico corresponde a 29% da população do país, sendo composto em sua maioria por pentecostais. O estudo oferece uma ampla análise sobre a relação entre a fé, mudanças no pertencimento religioso, valores morais e a política na sociedade brasileira contemporânea.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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