Um estudo recente realizado pela HSR Health em parceria com a Roche Farma, divulgado pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), revelou que cerca de 25% dos pacientes com esclerose múltipla enfrentam a demora de mais de cinco anos para obter o diagnóstico da doença. Essa demora na identificação do problema pode agravar a progressão da enfermidade, impactando diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Os resultados da pesquisa foram divulgados durante o Agosto Laranja, mês de conscientização sobre a esclerose múltipla, e ouviu 368 pessoas em tratamento no Brasil.
De acordo com o levantamento, mais da metade dos entrevistados recebeu diagnósticos incorretos antes da confirmação da esclerose múltipla. Além disso, 26,6% aguardaram mais de cinco anos pela confirmação da doença, e 14,1% tiveram que esperar uma década ou mais desde os primeiros sintomas até o diagnóstico definitivo.
O neurologista Rodrigo Kleinpaul destacou a importância da agilidade no diagnóstico para evitar danos permanentes causados pela esclerose múltipla. A demora na identificação da doença pode levar à progressão da incapacidade dos pacientes, resultando em danos irreversíveis.
Principais desafios e impactos da esclerose múltipla no Brasil
Segundo a pesquisa, 36% dos entrevistados apontaram os médicos e profissionais de saúde como a principal barreira até o diagnóstico, seguido por 23% que mencionaram os exames e investigações necessários. A complexidade dos sintomas iniciais da esclerose múltipla, muitas vezes confundidos com outras doenças, dificulta a identificação correta do problema. Essa enfermidade inflamatória, crônica e autoimune afeta cerca de 40 mil brasileiros, principalmente mulheres jovens na faixa etária de 20 a 40 anos.
Os impactos da esclerose múltipla vão além da saúde física, atingindo a mobilidade, o trabalho, a rotina diária, a saúde mental e a autonomia dos pacientes. A doença é a principal causa de incapacidade por doenças neurológicas em jovens, excluindo causas traumáticas, e requer diagnóstico precoce e tratamento adequado para minimizar seus efeitos.
Vale ressaltar que os sintomas iniciais da esclerose múltipla podem ser confundidos com outras condições de saúde, o que contribui para o atraso no diagnóstico. Lucimara de Lima Santana, educadora física de 44 anos, enfrentou essa realidade ao percorrer consultórios durante quatro anos até descobrir a doença.
Após diversos exames e consultas, Lucimara foi diagnosticada com esclerose múltipla, o que impactou significativamente sua rotina e sua capacidade de trabalho. Sua história ilustra os desafios enfrentados por muitos pacientes com essa doença no Brasil.
