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Desigualdade socioeconômica aumenta risco de morte por câncer em Campinas, aponta estudo da Unicamp

G1

Um estudo realizado pela Unicamp revelou que moradores de áreas mais vulneráveis de Campinas (SP) enfrentam um maior risco de morte por câncer, mesmo com uma menor incidência de casos nesses grupos. Pesquisadores do Centro de Inovação Teranóstica em Câncer (CancerThera) destacaram que o acesso desigual aos serviços de saúde é um dos principais fatores que contribuem para essa situação preocupante. As descobertas foram publicadas na revista científica internacional Cancer Epidemiology.

Acesso desigual e diagnósticos tardios

De acordo com a epidemiologista Andrea von Zuben, a mortalidade por câncer pode ser até três vezes maior entre os grupos mais vulneráveis, indicando possíveis atrasos no acesso ao diagnóstico e tratamento. O estudo sugere que a população mais vulnerável não está necessariamente menos propensa a desenvolver a doença, mas sim enfrenta obstáculos no acesso a exames, resultando em diagnósticos em estágios mais avançados.

Entre os problemas identificados estão a dependência quase exclusiva do Sistema Único de Saúde (SUS), longos períodos de espera para exames e consultas, além de diagnósticos tardios que reduzem as chances de cura. Carmino Antonio de Souza, pesquisador responsável pelo CancerThera, enfatiza a necessidade de políticas públicas direcionadas e territorializadas para lidar com essa desigualdade crescente na área da saúde.

Desafios e disparidades no sistema de saúde

O estudo baseou-se em uma década de dados e utilizou o Índice Relativo de Desigualdade (RII) para comparar o risco de adoecimento e morte entre diferentes grupos socioeconômicos ao longo do tempo. Mesmo com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado muito alto em Campinas, as disparidades socioeconômicas refletem-se na incidência de casos e na mortalidade por câncer na região, evidenciando a importância do local de residência e da condição social na sobrevivência dos pacientes.

Impacto nos diferentes tipos de câncer

Os pesquisadores analisaram as diferenças no diagnóstico e na letalidade dos tumores mais comuns na população de Campinas, destacando padrões distintos entre os tipos de câncer. Por exemplo, no caso do câncer de próstata, apesar da redução na incidência de casos, a desigualdade na mortalidade aumentou significativamente, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

Fonte: https://g1.globo.com

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