Enquanto muitos brasileiros desfrutam do feriado do Dia do Trabalhador, uma categoria não tem pausa: as pessoas que cuidam de crianças, idosos e do ambiente doméstico. Um trabalho fundamental que recai majoritariamente sobre as mulheres, como apontam dados do IBGE.
Para a professora de Serviço Social da UFRJ, Cibele Henriques, essa desigualdade de gênero no trabalho de cuidado possui raízes históricas profundas. Ela destaca que, embora permeado por amor e afeto, esse trabalho não remunerado acaba por explorar a mão de obra feminina, privando-as de saúde mental e social.
Sobrecarga e exploração
Cibele, co-fundadora do Observatório do Cuidado, ressalta que as mulheres acabam sendo as principais provedoras de tempo e trabalho não remunerado, seja cuidando exclusivamente da família ou conciliando com uma ocupação remunerada. A acadêmica destaca que, embora se discuta a escala 6×1, na prática as mulheres vivem uma escala 7×0, especialmente as negras e periféricas.
A pesquisadora aponta que desde a infância, as meninas são socializadas para desempenhar o papel de cuidadoras, enquanto os meninos são desonerados dessa responsabilidade. Mesmo em casos de divórcio, a carga do cuidado recai majoritariamente sobre as mulheres, evidenciando a persistência dessa desigualdade estrutural.
Raízes econômicas
Cibele enfatiza que a questão vai além do papel tradicional atribuído às mulheres, sendo essencialmente uma questão econômica. Com a crescente escolarização e competência das mulheres, a pesquisadora destaca a necessidade de repensar o sistema que perpetua essa sobrecarga e exploração.
