Uma cadeia de montanhas no leste de Minas Gerais, a Serra do Padre Ângelo, vem se destacando como um dos locais mais fascinantes do Brasil para estudos sobre biodiversidade. Localizada entre os municípios de Conselheiro Pena e Alvarenga, essa região pouco conhecida tem revelado uma variedade impressionante de espécies raras e únicas, incluindo plantas gigantes, populações de araucárias e ecossistemas singulares da Mata Atlântica.
Descobertas Científicas
Expedições recentes na Serra do Padre Ângelo resultaram na identificação de pelo menos 28 novas espécies, além de diversos registros inéditos de fauna e flora. Entre as descobertas mais notáveis está o gênero de planta Gyrosphragma, classificado em 2022. O pesquisador Paulo Gonella, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), ressalta que ainda há muito a aprender sobre as espécies encontradas na região, especialmente em relação a grupos menos estudados, como insetos e invertebrados.
A 'Terra de Gigantes'
A denominação ‘Terra de Gigantes’ teve origem em 2010, quando uma fotografia intrigante de uma planta carnívora na região despertou o interesse de Paulo Gonella. A espécie foi oficialmente descrita como Drosera magnifica em 2015, tornando-se a maior planta carnívora das Américas, podendo atingir mais de 1,5 metro de comprimento. Essa descoberta pioneira abriu caminho para uma série de estudos que revelaram a riqueza biológica escondida na serra.
A Biodiversidade da Região
Além das plantas gigantes e da vegetação típica da Mata Atlântica, a Serra do Padre Ângelo abriga campos rupestres, um ecossistema peculiar que cresce em áreas rochosas com solo pobre e clima extremo. Esses ambientes, presentes em menos de 1% do território brasileiro, concentram aproximadamente 15% das espécies vegetais do país. Nas montanhas da região, os campos rupestres surgem como verdadeiras ilhas naturais, onde espécies únicas evoluíram ao longo do tempo.
Fonte: https://g1.globo.com
