Um evento raro e fascinante permitiu aos cientistas testemunharem, em tempo real, um dos processos fundamentais da renovação da crosta terrestre: a expansão do fundo oceânico.
No mês de abril de 2024, na Dorsal do Sudeste Indiano (SEIR), no Oceano Índico Meridional, ocorreu uma sequência de terremotos que desencadeou esse fenômeno impressionante. Nessa região, onde duas placas tectônicas se afastam, a expansão anual chega a cerca de 6,3 centímetros.
A descoberta foi documentada em um estudo publicado na revista Nature em julho, revelando a primeira observação in loco de um evento de rifteamento em uma dorsal meso-oceânica, combinando diversas técnicas de monitoramento geofísico.
A descoberta do observatório OHA-GEODAMS
A oportunidade de registrar esse fenômeno único surgiu com a instalação do observatório OHA-GEODAMS em fevereiro de 2024, próximo à Falha Transformante de Amsterdam. O equipamento, composto por hidrofones, sensores de pressão e equipamentos de medição, permitiu aos pesquisadores acompanhar em tempo real os eventos sísmicos e as mudanças no fundo oceânico.
Sequência de terremotos e transformações submarinas
No dia 26 de abril de 2024, uma série de terremotos iniciou no centro de um segmento da dorsal, desencadeando um movimento sísmico significativo. Os pesquisadores observaram uma rápida propagação dos tremores, seguida por mudanças na paisagem submarina e um afundamento do fundo oceânico.
Em apenas seis dias, o fundo do vale havia afundado mais de 4 metros, com a chegada de milhões de metros cúbicos de lava provenientes do magma localizado nas profundezas da crosta terrestre. A atividade eruptiva durou cerca de 16 dias, marcando um evento único de transformação submarina.
Além das mudanças físicas, a interação entre a lava quente e a água do mar gerou ondas acústicas peculiares, indicando a intensidade do fenômeno observado pelos pesquisadores.
Fonte: https://g1.globo.com
