ACABOU O ENCANTO, QUEBROU EM VGP! A relação harmoniosa entre o Executivo e o Legislativo de Vargem Grande Paulista vive seu fim prematuro. A tentativa desastrosa do prefeito Piter Santos de interferir na eleição da nova presidência da Câmara Municipal culminou em uma retumbante derrota política e expôs, sem disfarces, a fragilidade da articulação governamental.
Em mais uma jogada arriscada, o prefeito resolveu testar sua popularidade entre os vereadores e passou a articular, nos bastidores, a antecipação de uma nova eleição da presidência da Câmara — mesmo com menos de seis meses desde a posse da atual mesa diretora. A manobra teve o aval do então presidente da Casa, Ademir Martins Silva, eleito para exercer o cargo entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025. Ele convocou a nova eleição acreditando que conseguiria garantir a permanência do grupo ligado ao Executivo no comando da Câmara. No entanto, o cálculo político falhou.
A antecipação do pleito acabou sendo um verdadeiro tiro no pé. O vereador Ademir Martins Silva, ao tentar favorecer o governo e consolidar a força do prefeito na Câmara, acabou perdendo espaço para a oposição. O vitorioso foi o vereador Antônio Mauro de Souza Filho, o Maurinho, nome ligado ao ex-prefeito Josué Ramos e à ex-prefeiturável Dra. Larissa, que agora comandará o Legislativo.
Na esperança de emplacar seu aliado, o vereador Zezinho Tapeceiro, o prefeito apostou alto: exonerou o parlamentar da Secretaria de Gabinete para viabilizar seu retorno ao Legislativo e disputar a presidência da Casa. No entanto, a estratégia fracassou diante da resistência da maioria dos vereadores.
A eleição de Maurinho, apoiado por uma frente ampla que inclui inclusive vereadores eleitos com Piter, como Tom (eleito vice-presidente) e Ney (1º secretário), representa um divisor de águas no cenário político da cidade. A mensagem é clara: a Câmara Municipal não se curvará ao Executivo. A partir de agora, o Legislativo assume uma postura de independência e resistência.
Nos bastidores, o clima é de tensão. Há relatos de que o prefeito enfrenta dificuldades até mesmo com sua base de apoio. O distanciamento de Piter em relação aos vereadores e o desmonte de políticas públicas herdadas de gestões anteriores aumentam o clima de insatisfação. Para agravar a crise, pesa contra o prefeito a má relação com servidores municipais — ele chegou a gravar um vídeo com ameaças de exoneração e retirou gratificações de profissionais da saúde —, além da ausência de entregas relevantes nestes primeiros meses de gestão.
As promessas de campanha, como o fim da Zona Azul e a proibição da nomeação de parentes em cargos de confiança, também não foram cumpridas. O estacionamento rotativo segue ativo.
Durante a sessão legislativa, o vereador Ney, decano da Câmara, tentou minimizar a derrota do governo, afirmando que a eleição da nova mesa foi “uma escolha administrativa”. No entanto, sua homenagem ao pai de Maurinho, Mauro da Oficina — ex-secretário de Josué Ramos e ex-vereador por cinco mandatos — soou como uma indireta ao prefeito ao destacar “compromisso com a palavra”, virtude que, segundo críticos, falta ao atual chefe do Executivo.
O que resta agora é o questionamento: Piter Santos conseguirá recompor sua base e governar com efetividade, ou Vargem Grande Paulista viverá três anos de embates e estagnação institucional? A crise está instalada — e o encanto, definitivamente, quebrou em VGP.
