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COP15 no Brasil: plantio de bosque nativo e proteção recorde de espécies

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, culminou em um marco significativo: a criação do Bosque da COP15. Centenas de participantes, incluindo diplomatas, delegados e a comunidade local, uniram-se em um esforço colaborativo para plantar árvores nativas e frutíferas, simbolizando um legado verde duradouro. Este gesto concreto reflete o tema central do encontro, “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”, e sublinha a importância da ação local para a proteção de espécies migratórias e seus habitats. Além do plantio, a COP15 avançou em medidas cruciais de conservação, estabelecendo novas proteções para dezenas de espécies em escala global.

Um legado verde para Campo Grande

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), em Campo Grande, dedicou a tarde de sábado, 28 de outubro, à construção de um legado tangível para a cidade e para a conservação: um bosque de árvores nativas e frutíferas. Centenas de participantes, que incluíam diplomatas, delegados dos países, representantes de movimentos ambientalistas de conservação de diferentes espécies e moradores de todas as idades, conectaram-se com a terra e a natureza, alinhados ao tema central do encontro, “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”. Este ato coletivo de plantio materializou a filosofia de que a ação é fundamental para o sucesso das discussões globais.

“Este é o mais importante evento de toda a COP”, afirmou Amu Fraenkel, secretária executiva da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). “A ação importa mais, e é para que ela aconteça que nos reunimos. Há um ditado antigo que diz ‘pensar global e agir local’, e é o que estamos fazendo hoje, porque todos têm um papel a desempenhar para a proteção das espécies migratórias.” O Bosque da COP15, como foi batizado, representa um símbolo duradouro do encontro, transformando discussões em um impacto ambiental positivo e visível.

O Bosque da COP15: um santuário urbano

A escolha do local para o Bosque da COP15 não foi aleatória, mas sim estratégica na criação de áreas verdes para a cidade. Sílvia Ray Pereira, bióloga da Gerência de Arborização da prefeitura, explicou que a iniciativa integra um projeto maior lançado no ano anterior, focado na criação de miniflorestas em áreas com escassez de árvores, principalmente praças. “O objetivo é conciliar arborização urbana, saúde da população e o bem-estar da fauna silvestre”, destacou a bióloga, ressaltando os múltiplos benefícios do projeto para Campo Grande.

Ao todo, foram plantadas 250 mudas de espécies nativas do Cerrado e frutíferas, incluindo sapoti, pitanga, angico e, notavelmente, o manduvi. Esta última árvore é de particular importância ecológica, pois é amplamente utilizada pela arara-azul para construir seus ninhos. “A ideia é atrair a espécie, que já demonstra sinais de retorno à proximidade da cidade”, explicou Sílvia Ray Pereira. “Com a expansão de áreas verdes contendo manduvi, a arara-azul poderá encontrar aqui um local seguro para nidificação, contribuindo para a biodiversidade local e enriquecendo a paisagem urbana com a presença dessa ave icônica.” O bosque não é apenas um embeleza a cidade, mas cria um habitat vital para a fauna.

Avanços cruciais na proteção de espécies

Paralelamente à ação de plantio, as plenárias da COP15 avançaram significativamente na deliberação de propostas para a proteção de espécies migratórias em escala global. A manhã de sábado foi dedicada à plenária que antecede o último dia da conferência, onde mais de 100 itens da agenda foram avaliados pelos participantes. Um amplo consenso foi alcançado na vasta maioria das deliberações feitas ao longo do encontro, permitindo que estas fossem encaminhadas para a plenária final. “Amanhã, na plenária final, elas serão oficialmente adotadas pela convenção”, declarou João Paulo Capobianco, presidente da COP15, apontando para um futuro com mais proteções.

Adoção de novas medidas e propostas brasileiras

O Brasil desempenhou um papel de liderança e apoio em diversas medidas cruciais para a conservação global. Entre as propostas lideradas ou apoiadas pelo país, destaca-se a aprovação do Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Bagres Migratórios Amazônicos, um esforço vital para a proteção dos ecossistemas fluviais complexos da Amazônia. Além disso, o país promoveu ações concentradas internacionais para a conservação do tubarão-mangona e do tubarão-peregrino, duas espécies globalmente vulneráveis que requerem cooperação transnacional para sua sobrevivência.

Após a plenária final, diversas outras espécies serão incluídas nas listas de proteção da CMS, reforçando o compromisso global com a biodiversidade. No Anexo I, que abriga espécies ameaçadas de extinção, foram adicionadas as aves maçarico-de-bico-torto e maçarico-de-bico-virado, enfatizando a preocupação com aves limícolas que enfrentam pressões significativas em seus percursos migratórios. O Anexo II, que engloba espécies que demandam esforços internacionais de conservação, recebeu o peixe pintado, um importante recurso pesqueiro e peça-chave em seu ecossistema, o tubarão cação-cola-fina e a ave caboclinho-do-pantanal, destacando a abrangência da proteção em diferentes biomas e grupos taxonômicos. A ariranha, um mamífero aquático emblemático dos ecossistemas sul-americanos, e os petréis, ou grazinas, aves marinhas de grande distribuição, foram incluídos em ambas as listas, refletindo a urgência e a complexidade de sua conservação face a múltiplas ameaças. Em um gesto de pragmatismo e para permitir a continuidade das avaliações sem entraves, o Brasil optou por retirar a proposta de inclusão do tubarão cação-anjo-espinhoso no Anexo II, devido à falta de consenso entre as partes sobre sua classificação.

Deliberações e o futuro da conservação

A COP15 em Campo Grande transcendeu as discussões diplomáticas, transformando-se em um catalisador de ações concretas e decisões robustas para a conservação global. O plantio do Bosque da COP15 serve como um lembrete vívido de que a proteção das espécies migratórias e seus habitats requer um esforço conjunto, conectando o pensamento global à ação local. As aprovações de novos planos de ação e a inclusão de dezenas de espécies nas listas de proteção da CMS demonstram um avanço significativo no compromisso internacional com a biodiversidade. O legado da COP15 no Brasil é um testemunho da capacidade de diferentes atores se unirem para forjar um futuro mais sustentável, onde a natureza e a vida selvagem encontrem o amparo necessário para prosperar. A conferência reforça a ideia de que cada pequena ação contribui para um impacto ambiental positivo em escala mundial.

Perguntas frequentes

Qual foi o principal legado físico da COP15 no Brasil?
O principal legado físico da COP15 em Campo Grande foi a criação do Bosque da COP15, um local onde centenas de participantes plantaram 250 mudas de árvores nativas e frutíferas, como sapoti, pitanga, angico e manduvi.

Quantas e quais novas espécies foram adicionadas às listas de proteção da CMS?
Dezenas de espécies foram adicionadas ou tiveram seu status de proteção reforçado. Entre elas, no Anexo I (ameaçadas de extinção), estão as aves maçarico-de-bico-torto e maçarico-de-bico-virado. No Anexo II (demandam esforços internacionais), foram incluídos o peixe pintado, o tubarão cação-cola-fina e a ave caboclinho-do-pantanal. A ariranha e os petréis/grazinas foram incluídos em ambas as listas.

Qual o objetivo do Bosque da COP15 para a fauna local?
O Bosque da COP15 foi estrategicamente plantado com espécies como o manduvi para atrair e fornecer um local seguro para a nidificação da arara-azul, que já está retornando à proximidade da cidade. Além disso, busca conciliar arborização urbana, saúde da população e atender outros animais silvestres.

Para se aprofundar nas iniciativas de conservação e acompanhar o progresso das ações globais, visite o site oficial da Convenção de Espécies Migratórias (CMS) e descubra como você também pode contribuir para um futuro mais sustentável.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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