O espetáculo Ferida$ Política$, que trata da discriminação enfrentada por pessoas com HIV e aids, terá uma nova apresentação gratuita no próximo domingo (28), no Centro Cultural Grajaú, em São Paulo.
Promovido pelo Coletivo Contágio, a peça teatral busca trazer à luz a estigmatização vivenciada por essas pessoas na sociedade. Com a temporada iniciada em maio durante a 3ª Mostra Transmissão Contágio, a encenação será seguida por um bate-papo intitulado (Com)verso Positivo.
A mediação do evento ficará por conta do coordenador da Travas da Sul Rede Sociocultural, Diogo Emanuel, que conduzirá a roda de conversa antes e depois da apresentação.
No palco, sete artistas do Coletivo Contágio, representando a si mesmos e outros indivíduos estigmatizados pelo HIV, compartilham experiências pessoais. A encenação, que mistura teatro, performance e dramaturgia, convida o público a participar do debate sobre a questão.
Desde 2019, o Coletivo Contágio promove residências artísticas e exposições que alimentam suas produções com relatos individuais. Ará Silva, fundador do coletivo, enfatiza a importância de abordar a questão do HIV e aids no meio artístico, após ter sido diagnosticado com o vírus em 2018.
Desafios e Estatísticas
Silva destaca a falta de apoio de espaços culturais em São Paulo e a importância de debater a questão econômica envolvida na epidemia de aids, refletida no nome do espetáculo, Ferida$ Política$. Além disso, ressalta a presença marcante de migrantes nordestinos nas atividades do coletivo.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 680 mil casos de infecção pelo HIV até setembro de 2025. As regiões Sudeste e Nordeste concentram o maior número de casos. A transmissão do vírus entre homens e mulheres apresentou um aumento significativo nos últimos anos, com mais casos entre homens.
O Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025 destaca que a categoria de homens que fazem sexo com homens tem sido a mais afetada, principalmente entre os jovens. O padrão etário revela a heterogeneidade da epidemia entre os homens, com maior concentração de casos associados à exposição homo/bissexual.
