A Justiça de São Paulo determinou que Maicol Sales dos Santos, acusado de matar Vitória Regina de Sousa, de 17 anos, em Cajamar, na Grande São Paulo, seja submetido a júri popular. A data do julgamento ainda não foi definida.
Vitória desapareceu em fevereiro, após deixar o trabalho. As buscas duraram uma semana, até que seu corpo foi encontrado em uma área de mata. A investigação aponta Maicol, com quem a vítima teria tido um relacionamento, como o autor do crime, motivado pelo receio de que a jovem revelasse o caso à sua esposa.
A Polícia Civil afirma ter encontrado vestígios de sangue de Vitória no carro e na casa de Maicol. Além disso, a polícia alega que Maicol confessou o crime. A defesa, por outro lado, nega o assassinato.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Maicol por sequestro, feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. Foi solicitado que a prisão temporária fosse convertida em preventiva, sem prazo para soltura. Em caso de condenação, Maicol pode enfrentar uma pena de até 50 anos de prisão.
O promotor Jandir Moura Torres Neto acusa Maicol de ter agido sozinho no assassinato da adolescente, ocorrido em 27 de fevereiro, e determinou a abertura de um novo inquérito para investigar se houve auxílio na ocultação do corpo.
A perícia encontrou material genético de um homem não identificado no carro de Maicol, o que levou à investigação de possível participação de terceiros no crime.
Segundo a investigação, Vitória foi abordada por Maicol após sair do shopping onde trabalhava e descer no ponto de ônibus a caminho de casa, em 26 de fevereiro. Seu corpo foi encontrado em 5 de março, apresentando cortes de faca e sinais de violência.
Maicol foi denunciado por sequestro qualificado (pelo fato de a vítima ser menor de 18 anos e com fins libidinosos), feminicídio qualificado (por desprezo à condição de mulher e por dificultar a defesa da vítima, utilizando meio cruel para ocultar o sequestro, além de motivo fútil), ocultação de cadáver e fraude processual (por limpar o carro utilizado para transportar o corpo, usar produtos de limpeza na casa para eliminar vestígios e apagar dados do celular).
Maicol, que reside no mesmo bairro da vítima, está preso desde 8 de março. Em depoimento gravado na delegacia, ele confessou o crime, alegando ter tido um relacionamento com Vitória e que ela o ameaçava contar sobre a traição à sua esposa.
A defesa de Maicol alega que ele foi coagido a confessar e analisa a possibilidade de pedir a anulação da confissão. Os advogados sustentam a inocência do acusado.
Laudos periciais confirmaram que o sangue encontrado no carro e na casa de Maicol era de Vitória. O suspeito havia alegado que deu carona à vítima e a esfaqueou após uma discussão.
Fonte: g1.globo.com
