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Caravanas partem de são paulo para a marcha das mulheres negras em brasília

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Após uma década, a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver retorna a Brasília nesta terça-feira, com o objetivo de fortalecer o movimento como resposta ao aumento das desigualdades. A marcha busca enfatizar a necessidade urgente de um país comprometido com a reparação histórica, a justiça social e um futuro de dignidade e cuidado.

Para este ano, são esperadas participantes de todos os estados do Brasil e de mais de 40 países, com o objetivo de superar a participação de mais de 100 mil pessoas registrada em 2015. De São Paulo, pelo menos 13 caravanas partirão rumo à capital federal.

A delegação que sairá de São Paulo contará com mais de 350 mulheres. De acordo com uma integrante do Comitê Impulsor Nacional da Marcha, as caravanas estão sendo organizadas desde agosto do ano passado. Ela participou da construção desta nova edição da Marcha, um trabalho definido como coletivo.

“A Marcha sempre foi coletiva e acontece a partir de vários movimentos, várias instituições. É um conjunto de mulheres que pensam toda a estrutura, que organizam isso de maneira global”, afirma.

A organizadora relata que, há dez anos, atuou nos bastidores para que a Marcha ocorresse. Ela enfatiza a importância do matriarcado, “que é muito forte para nós”, e confirma a experiência a partir desse lugar, trazendo a coletividade, o cuidado e a segurança.

A organização de um evento dessa magnitude não é simples, e esta é apenas a segunda edição. Uma das grandes questões é garantir recursos para levar as mulheres a Brasília, assegurando sua participação. Muitas trabalham, são mães solo e precisam ter o direito de estar na marcha para poder afirmar sua existência.

Para que isso aconteça, é preciso garantir condições dignas em Brasília, como alimentação, alojamento, banho e segurança na caminhada. Essa estrutura é considerada extremamente necessária.

Para viabilizar o grande número de participantes, o comitê organizador contou com o apoio de emenda parlamentar, que ajudará a financiar o transporte das mulheres. Das 350 que devem partir de São Paulo, 70 irão de avião, enquanto as demais serão distribuídas em cinco ônibus.

A organização priorizou o uso do avião para as mulheres mais velhas, com redução de mobilidade, alguma deficiência, ou que trabalham em regime CLT e não conseguiriam se afastar tanto tempo do trabalho, além de mães de crianças pequenas.

O simbolismo da Marcha é muito forte, representando a luta das mulheres negras organizadas pelo direito à existência com dignidade, a luta por reparação e bem viver. A marcha simboliza o reconhecimento da cultura negra no que diz respeito à sua ancestralidade e uma forma de pensar afrocentrada.

A preocupação da organização é como continuar essa luta em segurança após a marcha, já que se trata de um movimento que luta pela sobrevivência dessas mulheres, com um antes, o dia da Marcha e o retorno aos territórios.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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