O cenário político brasileiro tem testemunhado um crescimento significativo no número de mulheres que se candidatam a cargos na Câmara dos Deputados. De acordo com dados do Portal da Classe Política, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), entre 1998 e 2022, o total de candidatas saltou de 358 para 3.668, um aumento impressionante de quase 925%. No entanto, apesar desse avanço, a proporção de deputadas federais eleitas em relação ao total de cadeiras disponíveis ainda é baixa.
Desafios na Representatividade
Nas eleições de 2022, as mulheres conquistaram 17,5% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 17,8% nas assembleias estaduais, os maiores percentuais já registrados. Apesar disso, esses números ainda estão aquém da paridade de gênero tão almejada. Nas assembleias legislativas estaduais, a participação feminina também converge para cerca de 18%, distante tanto da igualdade com os homens quanto do mínimo de 30% exigido para candidaturas.
Desigualdade nos Partidos Políticos
Segundo o cientista político Nilton Sainz, pesquisador da UFPR, a falta de representação feminina no Legislativo está intrinsecamente ligada aos mecanismos de poder dos partidos políticos. A desigualdade no financiamento de campanhas, a exclusão das mulheres de cargos de decisão e a presença de candidaturas ‘laranjas’ femininas são alguns dos obstáculos apontados para a baixa ocupação de vagas por mulheres.
A ausência de vozes femininas nos espaços de poder também impacta diretamente a agenda pública, reduzindo o debate sobre questões essenciais para as mulheres, como violência de gênero, feminicídio, cuidados de saúde e creches. Quando as mulheres são silenciadas, temas cruciais perdem destaque e recursos, afetando diretamente as políticas públicas.
Portal da Classe Política: Ferramenta de Análise
Além de dados sobre gênero, o Portal da Classe Política disponibiliza informações visuais a partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), permitindo análises detalhadas sobre candidaturas, patrimônio e financiamento de campanhas ao longo de 14 eleições, de 1998 a 2024. A ferramenta é uma maneira de aproximar dados eleitorais do cidadão, possibilitando uma compreensão mais ampla e transparente do cenário político do país.
