Site icon Itapevi Noticias

Brasil registra as menores taxas de mortalidade infantil em 34 anos

© Marcello Casal/Agência Brasil

Um relatório recente das Nações Unidas revelou que o Brasil alcançou marcos históricos na redução da mortalidade infantil e neonatal, atingindo as menores taxas dos últimos 34 anos. Este avanço significativo reflete o impacto de um conjunto robusto de políticas públicas de saúde implementadas ao longo das últimas décadas. A diminuição das mortes preveníveis em crianças menores de cinco anos posiciona o país em consonância com uma tendência global de melhoria, embora desafios persistam. A análise detalhada aponta para uma transformação notável na saúde pública brasileira, salvando milhares de vidas e permitindo que mais crianças atinjam a idade adulta. Contudo, o ritmo dessa queda desacelerou nos últimos anos, indicando a necessidade de redobrar os esforços.

Progresso sem precedentes na saúde infantil brasileira

Redução drástica nas taxas de óbitos

O relatório “Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil”, divulgado recentemente pelo Grupo Interagencial das Organizações Nações Unidas (ONU) para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), em parceria com o Banco Mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (Desa/ONU), trouxe à tona dados animadores sobre a saúde de crianças no Brasil. Em um período de 34 anos, o país conseguiu diminuir significativamente as taxas de mortalidade neonatal e de crianças menores de cinco anos, alcançando os menores patamares históricos. Em 1990, a cada mil nascidos vivos, 25 recém-nascidos morriam antes de completar 28 dias de vida. Em 2024, esse número foi reduzido drasticamente para sete óbitos por mil nascimentos.

A probabilidade de uma criança não sobreviver até o quinto aniversário também apresentou uma queda impressionante. Em 1990, a cada mil crianças que nasciam, 63 não chegavam aos cinco anos de idade. Já nos anos 2000, essa taxa caiu para 34 por mil, e em 2024, atingiu o patamar de 14,2 mortes por mil. Esses números evidenciam o sucesso das estratégias e investimentos na área da saúde.

Pilares das políticas públicas eficazes

A conquista desses resultados históricos é atribuída a um conjunto coeso de políticas públicas implementadas e fortalecidas desde a década de 1990. Entre as iniciativas cruciais destacam-se o Programa Saúde da Família, que leva atendimento básico e preventivo diretamente às comunidades; o Programa de Agentes Comunitários de Saúde, que atua na linha de frente na promoção da saúde e identificação de riscos; e a Política Nacional de Atenção Básica, que estrutura o acesso primário aos serviços de saúde. A expansão e o fortalecimento da rede pública de saúde foram igualmente fundamentais, garantindo maior acesso a maternidades, hospitais e centros de saúde em todo o território nacional.

Essas ações, que promoveram a saúde de gestantes, bebês e crianças, foram operacionalizadas com o apoio de diversos setores da sociedade brasileira e a colaboração de organizações internacionais. Especialistas em saúde infantil sublinham a importância contínua do investimento em políticas que comprovadamente funcionam, como a ampliação da cobertura vacinal e o incentivo ao aleitamento materno exclusivo. Eles ressaltam que milhares de vidas foram salvas, permitindo que essas crianças cresçam saudáveis e contribuam para o desenvolvimento do país.

Desafios persistentes e a necessidade de novos impulsos

Desaceleração no ritmo de queda

Apesar do progresso notável, o relatório aponta para uma desaceleração no ritmo de redução da mortalidade infantil na última década, uma tendência que se alinha ao cenário global. Entre 2000 e 2009, a mortalidade de recém-nascidos no Brasil diminuía a uma média de 4,9% anualmente. Contudo, entre 2010 e 2024, essa taxa de redução anual caiu para 3,16%. Globalmente, a queda na mortalidade de crianças menores de cinco anos diminuiu mais da metade desde 2000, mas o ritmo de redução desacelerou em mais de 60% desde 2015. Esse cenário alerta para a necessidade de revitalizar os esforços e estratégias para manter a trajetória de queda.

Mortalidade entre adolescentes e jovens

O levantamento também joga luz sobre a mortalidade em faixas etárias mais elevadas. Em 2024, aproximadamente 2,1 milhões de crianças, adolescentes e jovens entre cinco e 24 anos morreram em todo o mundo. No Brasil, nesse mesmo ano, a violência desponta como a principal causa de óbitos entre meninos de 15 a 19 anos, respondendo por quase metade (49%) das mortes. Doenças não transmissíveis ocupam o segundo lugar (18%), seguidas por acidentes de trânsito (14%).

Para as meninas na mesma faixa etária, doenças não transmissíveis foram a causa mais comum de morte (37%), com doenças transmissíveis (17%), violência (12%) e suicídio (10%) também apresentando números preocupantes. Esses dados reforçam a complexidade dos desafios de saúde pública que se estendem para além da primeira infância e exigem abordagens multifacetadas.

O imperativo do investimento em saúde

As evidências apresentadas no relatório global são claras: investir em saúde infantil é uma das medidas de desenvolvimento mais custo-efetivas. Intervenções comprovadas e de baixo custo, como a vacinação em massa, o tratamento eficaz da desnutrição e a qualificação de profissionais de saúde para atuar durante a gestação, parto e pós-parto, geram retornos substanciais em saúde global. Tais investimentos não apenas salvam vidas, mas também aumentam a produtividade, fortalecem economias e reduzem gastos públicos futuros. A cada dólar investido na sobrevivência infantil, o benefício social e econômico pode chegar a vinte dólares, conforme apontam as entidades envolvidas na elaboração do relatório. É crucial que o Brasil não apenas mantenha, mas amplie os avanços históricos, garantindo que as políticas de saúde cheguem a todas as crianças, especialmente aquelas em comunidades mais vulneráveis e remotas.

Um futuro mais saudável para o Brasil

A trajetória do Brasil na redução da mortalidade infantil é um testemunho do poder das políticas públicas bem planejadas e executadas. Embora os avanços sejam notáveis e coloquem o país em uma posição de destaque global, a desaceleração recente alerta para a fragilidade dessas conquistas e a necessidade premente de renovar os compromissos. O desafio agora é não apenas sustentar, mas acelerar o ritmo de queda, garantindo que nenhuma criança seja deixada para trás. O investimento contínuo em saúde materno-infantil e a atenção às causas de mortalidade em faixas etárias mais avançadas são cruciais para consolidar um futuro mais saudável para todas as gerações brasileiras.

Perguntas frequentes

Qual a principal conquista recente do Brasil na área da saúde infantil?
O Brasil alcançou as menores taxas de mortalidade neonatal e de crianças menores de cinco anos dos últimos 34 anos, conforme revelado por um relatório das Nações Unidas.

Quais políticas públicas foram citadas como cruciais para essa redução da mortalidade infantil?
Entre as políticas públicas essenciais estão o Programa Saúde da Família, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde, a Política Nacional de Atenção Básica e a expansão da rede pública de saúde, que juntas promoveram a saúde de mães e crianças.

Houve alguma desaceleração nos avanços da mortalidade infantil no Brasil?
Sim, o relatório indica uma desaceleração no ritmo de queda da mortalidade infantil na última década, uma tendência alinhada ao cenário global. A taxa de redução anual de mortalidade de recém-nascidos passou de 4,9% (2000-2009) para 3,16% (2010-2024).

Por que o investimento em saúde infantil é considerado tão importante?
Investimentos em saúde infantil são classificados como medidas de desenvolvimento de alta custo-efetividade. Intervenções como vacinação, tratamento da desnutrição e profissionais de saúde qualificados geram retornos significativos, não só salvando vidas, mas também aumentando a produtividade e fortalecendo as economias, com cada dólar investido podendo gerar até US$ 20 em benefícios sociais e econômicos.

Mantenha-se informado sobre as iniciativas de saúde pública e como você pode contribuir para a continuidade desses avanços vitais para o futuro do Brasil. Compartilhe este conteúdo e participe da discussão sobre a saúde de nossas crianças e jovens.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Exit mobile version