A cada dia, mais jovens se veem envolvidos em problemas relacionados às apostas em bets, o que tem intensificado a necessidade de ajuda e apoio para superar a dependência. Luiz Carlos, membro do grupo de apoio Jogadores Anônimos, relata que a procura por assistência para combater esse vício tem se tornado cada vez mais comum entre adolescentes, com casos de jovens de apenas 14 anos buscando ajuda para lidar com a compulsão.
Histórias como a de Gustavo Pereira, um jovem de 24 anos que enfrentou graves problemas financeiros e de saúde mental devido à compulsão por bets, destacam a urgência de abordar essa questão. Após perder meio milhão de reais em seis anos de apostas, Gustavo decidiu recomeçar sua vida vendendo café nas ruas de Lages, em Santa Catarina, como forma de superar o vício.
A facilidade de acesso às plataformas de jogos pelo celular tem sido apontada como um dos principais fatores que ampliam o risco de jovens desenvolverem dependência de apostas. Dados do Unicef revelam que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar online antes dos 11 anos, chegando a 78% a partir dos 12 anos. No Brasil, uma pesquisa recente mostrou que 9,5% dos estudantes fizeram sua primeira aposta aos 11 anos.
Impacto nos Jovens e na Sociedade
Mariana Kehl, psicóloga membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, ressalta que o cérebro em desenvolvimento dos jovens os torna mais vulneráveis aos apelos das apostas, uma vez que ainda não possuem pleno controle sobre os impulsos. Enquanto as regiões cerebrais relacionadas ao prazer se desenvolvem rapidamente, as áreas de controle de impulsos e avaliação de riscos amadurecem apenas na fase adulta. Veja também: A História de Itapevi: Do passado ao presente.
Desafios e Superando a Dependência
Luiz Carlos, que superou sua própria dependência de jogos, destaca a evolução do cenário atual em comparação com sua própria experiência na década de 1980. Enquanto naquela época o desafio era com as máquinas de videopôquer, atualmente o vício se tornou ainda mais acessível com os dispositivos móveis, transformando o celular em um verdadeiro cassino portátil.
A irmandade Jogadores Anônimos tem sido fundamental para auxiliar pessoas como Luiz Carlos, Rogério, Rodrigo e Carla Xavier a superarem a dependência. Com histórias de abstinência que variam de 6 meses a mais de um ano, esses membros compartilham a importância do apoio mútuo para vencer o vício e reconstruir suas vidas.
