Nos últimos tempos, temos acompanhado com preocupação o crescimento de páginas e perfis nas redes sociais que se apresentam como canais de informação, mas que, muitas vezes, publicam conteúdos sem a devida apuração, retiram informações de contexto e transformam fatos administrativos ou políticos em manchetes sensacionalistas.

O problema não está em criticar, fiscalizar ou denunciar. Muito pelo contrário: a imprensa tem o dever de fiscalizar o poder público e levar informações de interesse da população. O problema começa quando a busca por visualizações, compartilhamentos e likes passa a valer mais do que a responsabilidade com os fatos.

E faço este editorial porque, mais uma vez, fui procurado por diversas pessoas a respeito de uma publicação envolvendo a Câmara Municipal de Itapevi.

Quem acompanha a história da imprensa local sabe que o Itapevi Notícias está há décadas acompanhando de perto as sessões do Legislativo, registrando debates, denúncias, projetos, conflitos e decisões que fazem parte da vida política de nossa cidade. Por isso, é natural que muitas pessoas nos procurem quando surge uma informação envolvendo a Câmara e querem saber o que realmente aconteceu.

Nos últimos dias, recebi várias ligações, inclusive de funcionários, questionando uma publicação feita em uma página do Instagram que teria apresentado como demissões aquilo que, segundo as informações apresentadas sobre o episódio, tratava-se de uma reorganização administrativa.

Meu grande amigo e jornalista Walter Wolff, diretor do Jornal Repórter Regional, publicou matéria tratando justamente desta reorganização administrativa e um conflito entre a presidencia e funcionarios. Conforme as informações divulgadas, as mudanças já haviam sido realizadas com anuência dos funcionários e existiria diálogo entre os servidores e a Presidência da Câmara para apresentação de uma proposta que pudesse ser analisada dentro das normas administrativas, inclusive levando em consideração as exigências legais e de fiscalização do Tribunal de Contas.

Em momento algum, conforme as informações que chegaram ao Itapevi Notícias sobre esse episódio, houve as demissões da maneira como foram apresentadas pela publicação questionada.

E é justamente aí que entra a responsabilidade de quem pretende trabalhar com informação.

Não se pode pegar parte de uma matéria publicada por outro veículo, retirar determinado trecho de seu contexto, chegar a uma conclusão diferente daquela apresentada originalmente e depois publicar essa interpretação como se fosse um fato confirmado.

Isso não é apenas um problema entre veículos de comunicação.

Isso atinge diretamente a população.

Quando uma notícia equivocada é publicada, rapidamente surgem comentários, acusações, discussões e julgamentos nas redes sociais. Pessoas passam a atacar servidores, vereadores, autoridades ou cidadãos acreditando que aquela informação é verdadeira.

Depois que uma mentira ou informação distorcida começa a circular, o dano pode estar feito.

Já vimos inúmeras situações em que pessoas tiveram suas imagens atingidas, foram perseguidas ou passaram por constrangimentos em razão de conteúdos falsos espalhados pelas redes.

Por isso, jornalismo exige responsabilidade.

Não se trata de defender a Câmara Municipal.

Não se trata de defender a Presidência.

Não se trata de defender funcionários.

Muito menos de impedir críticas.

Trata-se de defender a verdade dos fatos.

Se houver irregularidade, que seja denunciada.

Se houver documento, que seja apresentado.

Se houver demissão, que seja comprovada.

Se houver problema administrativo, que seja investigado.

Mas não podemos transformar suposições em fatos apenas para produzir uma manchete chamativa.

Quem trabalha com jornalismo sabe que antes de publicar uma acusação é preciso buscar documentos, ouvir os envolvidos, conferir informações e, principalmente, compreender aquilo que está sendo divulgado.

Jornalismo não pode ser um jogo de “copiar, interpretar e publicar”.

Existe uma diferença enorme entre informação, opinião e especulação.

Também precisamos fazer um alerta aos nossos leitores: ao receber uma notícia impactante pelas redes sociais, procure outros veículos, compare informações, veja se existem documentos, consulte fontes oficiais e desconfie de manchetes feitas exclusivamente para causar indignação.

A internet democratizou a comunicação, e isso é positivo. Qualquer cidadão pode gravar, denunciar, questionar e mostrar aquilo que considera errado.

Mas liberdade de expressão também exige responsabilidade.

Uma página possuir milhares de seguidores não transforma automaticamente uma publicação em verdade. Da mesma forma, um perfil se apresentar como jornalístico não elimina a obrigação de apurar aquilo que divulga.

Não podemos brincar de jornalismo quando estão em jogo a honra, o trabalho e a imagem das pessoas.

O Itapevi Notícias continuará fazendo aquilo que sempre fez: cobrando, fiscalizando, denunciando quando houver elementos para isso e, da mesma maneira, esclarecendo quando informações incorretas começarem a circular.

Quem eventualmente errar deve ter humildade para corrigir.

Quem publicar uma informação deve estar preparado para demonstrar de onde ela veio.

E quem deliberadamente transformar fatos em boatos para ganhar audiência precisa saber que poderá ser questionado e responsabilizado pelos meios adequados.

Depois de tantos anos acompanhando a política e o cotidiano de Itapevi, continuo acreditando que credibilidade não se conquista com likes. Credibilidade se conquista com tempo, responsabilidade, documentos e respeito ao leitor.

O Itapevi Notícias não está aqui para defender pessoas ou grupos políticos.

Estamos aqui para defender algo muito mais importante:

o direito da população de receber informação verdadeira.

Nilton Ramos
Diretor — Jornal Itapevi Notícias

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