A memória da guerra das Malvinas, conflito entre argentinos e ingleses nos anos 80 pelo controle do arquipélago no extremo sul da América do Sul, foi determinante para a derrota do governo de Javier Milei em um projeto que ampliava a venda de terras argentinas para estrangeiros.

Conhecido como ‘estrangeirização das terras argentinas’, o projeto gerou mobilizações que uniram governadores de diferentes campos políticos, artistas famosos, e até mesmo o jogador da seleção argentina Lisandro Martinez.

Pressão social e política

Diante da forte pressão social e da falta de apoio no Senado, o governo de Milei decidiu retirar o tema da votação prevista para esta quinta-feira. No entanto, outro projeto relacionado à venda de áreas protegidas afetadas por incêndios florestais ainda seria votado.

O texto revisado da estrangeirização das terras previa um aumento do limite de 15% para 25% do total de terras de cada província que poderiam ser adquiridas por estrangeiros, em comparação com a proposta original que eliminava qualquer limite.

Repercussão internacional

A faixa ‘as Malvinas são argentinas’ utilizada pela seleção argentina durante uma partida contra a Inglaterra foi um dos catalisadores das manifestações, evidenciando a sensibilidade do tema da soberania territorial.

A mobilização ganhou apoio de artistas renomados no país, como Lali Espósito, Milo J e Nicki Nicole, ampliando a pressão sobre o Senado e gerando um racha interno no governo de Milei.

Recuo e reflexão

A pressão dos governadores de províncias, que se sentiram prejudicados pela proposta, foi um dos fatores determinantes para o recuo do governo. A decisão de Milei de ‘reavaliar’ o projeto indica que o assunto não está arquivado definitivamente.

O governo justificou que está repensando a proposta, mas não há previsão de quando o tema poderá ser retomado no Senado.

Defesa da propriedade privada

A proposta de venda de terras a estrangeiros faz parte de um conjunto mais amplo de mudanças legislativas defendidas pelo governo argentino, conhecido como Lei de Inviolabilidade da Propriedade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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