O Ritual das Velas encerrou a 106ª edição do Shokonsai em Álvares Machado (SP), no único cemitério histórico japonês do Brasil, neste domingo (12). A cerimônia, um dos momentos mais aguardados, contou com a participação da Orquestra Camerata, marcando o encerramento do evento.

A tradição nasceu em 1920, inspirada no Obon, celebração japonesa em memória dos mortos. Famílias japonesas começaram a prestar homenagens aos parentes sepultados no local. Antes disso, o cemitério mais próximo ficava em Presidente Prudente (SP), a 15 quilômetros de distância, e os corpos precisavam ser carregados a pé.

O pioneiro Naoe Ogassawara obteve autorização para criar o espaço destinado à colônia japonesa em Álvares Machado, devido às mortes causadas por doenças como a febre amarela. O primeiro sepultamento no cemitério ocorreu em 1919, e a cerimônia passou a se chamar Shokonsai um ano depois, significando ‘convite às almas’.

O evento, que atravessa gerações, une cerimônia religiosa, apresentações culturais e encontros familiares. Alberto Yukio Nakada, vice-presidente da Associação Cultural, Esportiva e Agrícola de Álvares Machado (Aceam), destaca a importância do Shokonsai como forma de agradecimento aos pioneiros que moldaram a comunidade.

Durante o Ritual das Velas, as velas acesas nos túmulos criam um cenário de homenagem aos antepassados. A calmaria e a luminosidade das velas acesas em todos os túmulos são momentos marcantes para os participantes, simbolizando a gratidão e o respeito aos antepassados.

O encerramento do Shokonsai em Álvares Machado representa não apenas um evento cultural, mas também uma celebração de memórias e tradições que mantêm viva a conexão com as raízes japonesas no Brasil.

Fonte: https://g1.globo.com

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