O Ministério Público em São José do Rio Preto (SP) denunciou três médicos por homicídio culposo após a morte de uma gestante e seu bebê. Os trágicos acontecimentos ocorreram entre os dias 17 e 20 de março de 2020. A mulher, portadora de anemia falciforme e com cerca de 31 semanas de gestação, procurou atendimento em um hospital particular apresentando sintomas gripais e alterações laboratoriais indicando um processo infeccioso agudo.
Omissão e negligência médica
Segundo a denúncia, os profissionais de saúde não encaminharam a paciente para internação, mesmo diante da gravidade do caso, e deixaram de prescrever o medicamento antiviral oseltamivir, essencial para gestantes. A falta de ação resultou na morte da mulher e do bebê, conforme apontado pela promotora Valéria Ferreira de Lima no processo aceito pelo Poder Judiciário nesta quarta-feira (10).
Negligência reincidente
A vítima buscou atendimento várias vezes no hospital particular, com sintomas persistentes e agravamento do quadro clínico. Mesmo diante do risco da gestação de alto risco e dos exames laboratoriais alarmantes, os médicos optaram por não adotar medidas terapêuticas adequadas, liberando a paciente para tratamento domiciliar, o que contribuiu para a evolução do quadro infeccioso fatal.
Laudos periciais evidenciaram a relação direta entre as omissões dos médicos e o desfecho trágico, apontando a síndrome da resposta inflamatória sistêmica decorrente da infecção por influenza A como causa das mortes. A Promotoria de Justiça solicitou punições criminais e uma indenização financeira para a família da vítima. Veja também: Como se preparar para o ENEM do zero: Guia Completo.
Os réus podem ser condenados a pagar valores significativos por danos morais, incluindo R$ 150 mil para o viúvo, R$ 80 mil para cada um dos pais e R$ 150 mil para cada filho da gestante. A família poderá exigir o pagamento integral, e tanto os acusados quanto os familiares das vítimas terão o direito de recorrer em instâncias superiores, caso haja condenação.
A denúncia desse caso chocante reforça a importância da responsabilidade médica e do cuidado no tratamento de pacientes, especialmente em situações de alta gravidade como a enfrentada pela gestante em São José do Rio Preto.
Fonte: https://g1.globo.com



