Uma noite que deveria ser comum terminou em tragédia e comoção na região de Alphaville. Dois médicos morreram após serem baleados na noite de sexta-feira, 16 de janeiro, em frente ao restaurante El Uruguayo, localizado na Avenida Copacabana, no condomínio 18 do Forte, em Barueri. O crime ocorreu por volta das 21h40 e chocou moradores, profissionais da saúde e autoridades.
De acordo com informações apuradas, os três homens envolvidos — todos médicos — discutiram dentro do estabelecimento. Imagens do circuito interno mostram que o autor chegou ao local quando as vítimas estavam sentadas à mesa. Após um cumprimento inicial, a conversa evoluiu rapidamente para uma discussão acalorada, seguida de agressões físicas entre os três.
A Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada e, já do lado de fora do restaurante, ouvia os esclarecimentos das vítimas quando o autor retornou armado e efetuou os disparos diante dos agentes. Ao todo, foram onze tiros.
As vítimas
Uma das vítimas foi Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos, atingido no abdome e nas costas. Ele foi socorrido ao pronto-socorro do Parque Imperial, mas não resistiu aos ferimentos. A Prefeitura de Cotia confirmou oficialmente o falecimento e decretou luto na saúde pública municipal.
Vinicius atuava na rede municipal de Cotia há sete anos. Ingressou no serviço público em 2019 e trabalhou em unidades essenciais como as UBSs do Atalaia, Caucaia do Alto e Portão, além do Pronto Atendimento de Caucaia do Alto. Durante a pandemia, teve atuação destacada no Hospital de Campanha da Covid-19, sendo lembrado pela dedicação, empatia e excelência profissional. Ele deixa esposa e um filho de apenas um ano e meio.
A segunda vítima foi Luis Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, médico desde 2012 e empresário do setor de saúde. Ele foi atingido por oito disparos, sendo três no abdome e um nas costas, e morreu após dar entrada no Sameb, em Barueri. Luís Roberto era sócio e fundador de empresas médicas que prestavam serviços em pronto-socorro, procedimentos cirúrgicos e apoio administrativo a outras instituições de saúde.
Autor preso em flagrante
O autor dos disparos é Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, médico clínico geral e cirurgião. Ele utilizou uma pistola Taurus G2C, calibre 9mm. A GCM apreendeu a arma, 21 munições — sendo 12 em um carregador e 9 em outro — além de 11 cápsulas deflagradas.
O caso foi registrado na Delegacia Central de Barueri como duplo homicídio em flagrante. O médico permanece preso e à disposição da Justiça. Este não foi seu primeiro envolvimento policial: em julho de 2025, ele foi detido após um episódio de racismo em um hotel de luxo em Aracaju, quando agrediu verbal e fisicamente funcionários e causou danos ao patrimônio. Na ocasião, foi liberado mediante pagamento de fiança.
A Polícia Civil segue investigando todas as circunstâncias do crime.
Reflexão
Mais do que um caso policial, a tragédia de Alphaville escancara uma realidade inquietante: a banalização da violência e a incapacidade crescente de lidar com conflitos de forma civilizada. Uma discussão trivial, potencializada por ego, intolerância e desejo de imposição, terminou em duas vidas perdidas, famílias destruídas e uma sociedade ainda mais ferida.
Dinheiro, poder, status ou vaidade jamais deveriam se sobrepor ao valor maior: a vida humana. Quando a razão cede espaço à violência, todos perdem. O episódio deixa um alerta urgente sobre até onde a humanidade está disposta a ir por motivos fúteis — e o preço irreversível que se paga quando o diálogo é substituído pelas armas.



