Em Belém, a Universidade Federal do Pará (UFPA) se tornou palco de uma série de eventos marcantes durante a Cúpula dos Povos. Movimentos sociais e lideranças de povos tradicionais se uniram em uma extensa agenda de atividades e manifestações políticas ao longo do dia.
Um dos momentos mais simbólicos foi a manifestação artística liderada pela professora Inês Antônia Santos Ribeiro, da Escola de Teatro e Dança da UFPA e coordenadora do programa de extensão Alto do Círio. Durante a abertura da Cúpula dos Povos, um ato intitulado “Funeral dos Combustíveis Fósseis” ganhou destaque. Os participantes, conectados em um corpo de cobra, expressaram sua preocupação com os impactos climáticos gerados pelo uso de combustíveis derivados de petróleo, gás natural e carvão mineral.
A Boiuna, figura importante na cultura amazônica, também conhecida como cobra grande, foi utilizada como símbolo para abrir caminhos para as lutas e reivindicações das populações tradicionais da Amazônia. “A nossa intenção é que a Boiuna enterre os combustíveis fósseis. Já que ela está embaixo de Belém sustentando essa terra, ela vai afundar, vai levar, vai engolir simbolicamente os combustíveis fósseis”, afirmou Inês Ribeiro.
A professora Inês enfatizou o poder da arte como meio de conscientização sobre a crise climática, que afeta a fauna, a flora e as comunidades que habitam territórios ameaçados. “A arte é política, a arte é cultura. Pelos seus símbolos, ela pode representar a grande mensagem que queremos passar: de que somos vítimas de uma violência climática. Nesse território existem vidas que precisam ser sustentadas pelos nossos encantados, seres espirituais que são guardiões da natureza e da floresta”, explicou.
Inês Ribeiro ressaltou a importância dos símbolos para mobilizar a população e transmitir mensagens importantes na Cúpula dos Povos, como a necessidade de interromper a destruição e proteger o planeta.
A Cúpula dos Povos, que se estende até o dia 16 de novembro, acontece paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) na UFPA. O evento reúne aqueles que não ocupam posições de destaque e espaços de decisão na COP, buscando fortalecer pautas e elaborar um documento conjunto para influenciar os líderes mundiais em relação aos compromissos de combate ao aquecimento global e à injustiça climática.
O primeiro dia da Cúpula foi marcado por uma barqueata pelas águas da Baía do Guajará, reunindo mais de 200 embarcações e cerca de 5 mil pessoas, de acordo com os organizadores. Na embarcação principal, povos tradicionais compartilharam suas músicas, poesias e principais bandeiras de luta com movimentos sociais e jornalistas.
Delegações de diversos movimentos sociais foram recebidas pelos organizadores da Cúpula na UFPA. Especialistas compartilharam estudos sobre transição energética e interseccionalidade de gênero, raça, classe e território em salas de debate. Também foi realizada uma roda de “artivismo” feminista popular e antirracista.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



