Na próxima quarta-feira (19), completa-se meio século de um dos atentados que marcaram a luta contra a ditadura militar no Brasil. A explosão da bomba na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, é relembrada em uma edição especial do Boletim da ABI, lançada neste sábado.
A explosão, que ocorreu em 19 de agosto de 1976, destruiu dois banheiros próximos à sala da presidência da entidade, causando danos em diversas áreas do prédio. Apesar dos estragos materiais, não houve feridos.
Documentos revelam contexto histórico
A publicação especial da ABI baseou-se em documentos históricos e relatórios confidenciais que destacam a importância da imprensa livre em resistir a regimes autoritários e censura política. Entre os documentos, destaca-se um informe confidencial do Serviço Nacional de Informações (SNI), que revela o intenso monitoramento da entidade pelos órgãos de segurança da época.
Atentado atribuído a grupo extremista
O atentado foi assumido pela Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), grupo de extrema-direita que acusava a ABI de ser controlada por comunistas. O episódio fazia parte de uma série de eventos violentos que visavam conter movimentos de abertura política na ditadura.
Além do atentado à ABI, outros locais também foram alvos de bombas, demonstrando a violência e a intimidação política da época. A publicação destaca que esses eventos tinham como objetivo impedir qualquer avanço em direção às liberdades democráticas.
Para marcar os 50 anos do atentado, a ABI realizará um ato em homenagem no sétimo andar do prédio-sede, reafirmando seu compromisso com a democracia e a liberdade de imprensa.
